Felipe Isidro, professor titular de educação física: 'O problema é que vivemos com um enorme déficit de força útil aplicada no momento certo'
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 12:03
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Apenas uma em cada seis pessoas adultas pratica exercícios de força e exercícios cardiovasculares na medida considerada saudável
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Você desce as escadas com as sacolas de compras em ambas as mãos e, de repente, o pé não pisa no degrau exatamente como você esperava. Por um instante você perde o equilíbrio, se apoia no corrimão e continua como se nada tivesse acontecido. 

São apenas alguns décimos de segundo, mas em situações assim o corpo está fazendo muito mais do que parece: ajusta a postura, coordena os movimentos e recupera o equilíbrio quase sem que cheguemos a pensar a respeito.

E é precisamente aí que pode estar uma das chaves para entender como envelhecemos. Não tanto em quantos passos damos por dia ou nos quilômetros que acumulamos, mas na nossa capacidade de reagir quando algo sai do previsto. 

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Uma capacidade que ganha uma importância especial a partir dos 60 anos, quando manter a força, a coordenação e o equilíbrio pode fazer uma enorme diferença na autonomia.

Felipe Isidro, professor titular de Exercício Físico e um dos especialistas espanhóis mais conhecidos em treino de força e saúde, focou precisamente nessa questão em uma publicação em sua conta do Instagram. 

Sua reflexão convida a prestar atenção em algo que costumamos ignorar até que começa a falhar.

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O momento em que o corpo cobra a conta

Isidro parte de uma ideia simples de enunciar, mas difícil de aceitar: há uma idade em que apenas se movimentar deixa de ser suficiente. "Chega um momento na vida em que não basta se mexer, o corpo lembra que a autonomia também se treina", afirma o especialista.

Ele explica isso usando exemplos muito concretos, daqueles que qualquer pessoa reconhece facilmente porque, a partir de uma certa idade, começam a acontecer de repente e sem aviso: o degrau que surge onde não era esperado, a cadeira da qual custa mais levantar, as sacolas que transformam cada escada em uma pequena escalada ou a dificuldade para pegar algo no alto do armário que antes se alcançava sem problemas. 

Situações que, segundo o especialista, têm algo em comum: exigem "ser capaz de responder a tempo", uma capacidade que não se treina caminhando devagar pelo parque aos domingos.

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Um problema que não é apenas de sedentarismo

Para Isidro, o problema não é unicamente que a população se movimenta pouco. Há algo mais específico por trás: "o problema é que vivemos com um enorme déficit de força útil aplicada a tempo", sustenta.

Os números apoiam essa reflexão. Uma metanálise publicada no British Journal of Sports Medicine, com dados de mais de 3,3 milhões de pessoas em 32 países, calculou em apenas 17% a proporção de adultos que cumprem simultaneamente as recomendações de fortalecimento muscular e de atividade aeróbica estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde. 

Dito de outra forma: apenas cerca de uma em cada seis pessoas adultas treina força e faz exercício cardiovascular na medida considerada saudável.

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Essa força à qual Isidro se refere, ele insiste, não tem nada a ver com a que se exibe em uma academia nem com levantar mais peso por ego ou para postar foto no Instagram. 

É, segundo ele, "aquela que aparece em silêncio, logo antes de cair", a que permite levantar rápido do chão se for preciso, subir escadas sem medo ou manter a independência quando o corpo já não perdoa os descuidos como antes.

As pernas como indicador de saúde geral

O professor defende há tempos, também em outras entrevistas, que a força das pernas funciona quase como um termômetro do estado geral do organismo. 

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Nesse vídeo, ele vai um passo além e conecta essa capacidade com processos que vão muito além do músculo: "isso não fala apenas de músculo, fala de cérebro, de metabolismo, de reserva funcional, de longevidade real", explica.

A ideia central é que as pernas não se limitam a sustentar o peso do corpo. Segundo Isidro, elas também refletem como está envelhecendo o sistema nervoso que as controla; daí a sua insistência em trabalhar a força aplicada, não apenas a resistência ou o volume de movimento diário.

Construir capacidade antes de precisar dela

O especialista adverte que "não se trata apenas de se movimentar mais, trata-se de construir capacidade", e acrescenta que esse trabalho tem um único objetivo: "para continuar sendo você".

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O alerta final é o que mais ecoa entre os profissionais dedicados à saúde do envelhecimento ativo. No dia em que o corpo exigir essa força útil de forma repentina, avisa Isidro, não haverá margem para começar do zero. "É preciso tê-la treinado antes", conclui.

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