Frase do dia de Confúcio, filósofo chinês: ‘Quando vir um homem bom, tente imitá-lo. Quando vir um homem mau, reflita’
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 10:17
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Aprender com alguém admirável é bom, mas as pessoas ruins também podem nos ensinar o que devemos evitar
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Os “Analectos”, cujo título original em chinês é “Lún Yǔ” e significa “discussões sobre as palavras”, é o livro escrito pelos discípulos de Confúcio após sua morte. 

O pensador, que viveu até 479 a.C., não buscava com sua filosofia a salvação, mas o autoconhecimento, e esse propósito se reflete na paráfrase de uma frase que aparece no capítulo “Li Ren” de seu livro:

“Quando virmos homens de valor, deveríamos pensar em nos igualar a eles; quando virmos homens de caráter contrário, deveríamos voltar-nos para dentro e examinar a nós mesmos.”

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Confúcio não fala sobre se comparar com os outros, mas sobre transformar qualquer encontro em um exercício de aprimoramento pessoal.

O que ele defende é que ver alguém virtuoso não deveria despertar inveja, mas o desejo de “imitar” essa conduta. E ver alguém com defeitos não deveria despertar desprezo, mas nos convidar a fazer a pergunta: será que nós fazemos o mesmo?

Para Confúcio, o julgamento sempre acaba voltando para aquele que observa.

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O interessante é que essa ideia antecipa mecanismos que a psicologia estudaria posteriormente, como a aprendizagem observacional, desenvolvida pelo psicólogo Albert Bandura. Segundo essa teoria, adquirimos e reforçamos comportamentos ao observar um modelo competente executá-los, especialmente quando o admiramos, como uma criança que aprende com o pai porque o admira.

O convite de Confúcio à autorreflexão atua justamente sobre a tendência de julgar com dureza os defeitos dos outros enquanto minimizamos os nossos próprios, algo que o ditado popular resume na expressão “ver o cisco no olho do outro e não ver a trave no próprio”.

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Qualquer pessoa pode ser seu mestre, até mesmo as pessoas ruins

Nos “Analectos”, Confúcio também explica como aprende com as pessoas que encontra em seu dia a dia.

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“Quando caminho ao lado de outras duas pessoas, elas podem me servir de mestres; selecionarei suas boas qualidades e as seguirei, e suas más qualidades para evitá-las.”

Ou seja, para o filósofo, não é necessário que outra pessoa seja virtuosa para que possamos aprender alguma coisa. É como quando você tem um relacionamento amoroso terrível que ensina o que não quer em seus próximos relacionamentos.

Até mesmo um mau professor pode ensinar. Qualquer pessoa, com seus acertos e erros, tem algo a ensinar. A chave está em nós selecionarmos qual comportamento reproduzir e qual descartar.

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O verdadeiro aprendizado também exige olhar para si mesmo

Essa disciplina de observação não se voltava apenas para fora. O discípulo Zeng Zi descreve no livro sua própria rotina de autoexame diário.

“Examino diariamente minha conduta em três pontos: se, ao tratar de assuntos dos outros, fui fiel; se, no trato com os amigos, fui sincero; se pratiquei o que meu mestre me ensinou”, escreveu.

Antes de olhar para os defeitos alheios, Confúcio e sua escola já praticavam a revisão constante da própria conduta. 

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Essa rotina se assemelha muito ao autorregistro, uma técnica utilizada na psicoterapia cognitiva para desenvolver a autoconsciência e que consiste em revisar o próprio comportamento para identificar padrões e corrigi-los.

Essa exigência que aplicamos ao identificar um defeito alheio não serve de nada se apenas o apontamos, mas não corrigimos os nossos. Na verdade, Confúcio afirmava que se preocupava com o fato de esse trabalho interior ser negligenciado.

“Abandonar a virtude sem o cultivo apropriado, não discutir a fundo aquilo que se aprende, não conseguir avançar em direção à retidão que se conhece e não conseguir mudar aquilo que não é bom: essas são as coisas que me preocupam.”

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Segundo Confúcio, a virtude nunca depende das circunstâncias externas nem daquilo que os outros fazem: “subjugar a si mesmo e retornar à propriedade é a virtude perfeita [...] por acaso, a prática da virtude perfeita vem de nós mesmos ou vem dos outros?”, escreveu.

Para Confúcio, o aprimoramento moral começa e termina em nós mesmos, independentemente do que usemos como espelho, seja a virtude ou o defeito alheio.

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