É comum pensar que os cães são mais carinhosos do que os gatos. Afinal, os felinos costumam ser vistos como animais mais ariscos e independentes, que demonstram afeto de maneira mais esporádica e breve. Daí vem a ideia de que eles também se esquecem facilmente de seus donos — mas não é bem assim.
A memória dos gatos é mais complexa do que imaginamos e está intimamente ligada aos estímulos sensoriais, especialmente aos cheiros e aos sons.
A enfermeira veterinária britânica Jane Davidson explicou mais sobre o comportamento dos gatos em entrevista à revista Newsweek.
“Os gatos são únicos. Algumas de suas capacidades de memória se assemelham às dos cães, mas existem diferenças importantes.”
No caso dos felinos, a memória depende muito do ambiente em que vivem e da estabilidade desse espaço.
Além de sua experiência profissional, a especialista também compartilha sua visão como tutora de vários gatos:
“Pela minha experiência, não tenho certeza de que os gatos realmente ‘esqueçam’ seus donos. A experiência que eles têm da vida em família é multifacetada e não se resume às relações emocionais que nós, humanos, consideramos mais importantes. A sensação de segurança física — ter um lugar para dormir, comer e brincar — também faz parte dela. O ser humano é parte desse ambiente protetor”, explica.
Muitas vezes, quando saímos de férias ou deixamos nossos gatos aos cuidados de outras pessoas por alguns dias, podemos ter a sensação de que, ao voltar, o animal se esqueceu de quem somos. Mas não é bem assim.
É normal que um gato apresente mudanças de comportamento durante esse período, mas isso não significa que ele tenha se esquecido de nós: trata-se apenas de uma reação à nossa ausência.
É verdade que nem todos os gatos reagem da mesma forma. Entre as respostas mais comuns estão a perda temporária do apetite ou do interesse por atividades de que antes gostavam, além da busca por roupas e outros objetos com o cheiro do dono.
Quando a reação é mais intensa, podem surgir comportamentos como miados repetidos, aumento da marcação territorial ou arranhões fora do habitual.
Também é comum que alguns gatos se isolem e passem mais tempo dormindo, enquanto outros reagem exatamente ao contrário e buscam constantemente companhia e contato físico.
Uma coisa é certa: é preciso ter paciência na hora do reencontro.