Luciano Huck não se omitiu diante dos mais recentes casos de violôncia urbana no Rio de Janeiro. No "Domingão com Huck", o marido de Angélica pediu a palavra pouco antes do programa chegar ao fim e fez um desabafo sobre a situação da cidade que escolheu viver com a mulher e seus três filhos.
"Cento e vinte mortos em uma operação policial no Complexo do Alemão e na comunidade da Penha. Por trás desse número tem 120 mães que enterraram seus filhos", iniciou e logo fez um questionamento. "Você acha que foi com isso que elas sonharam quando essas crianças eram pequenas e corriam ali pelas vielas?". "Claro que não", respondeu em seguida.
"É preciso combater o narcotráfico com força total. É preciso coordenar ações entre todos os níveis de poder. É preciso sufocar a parte financeira das organizações criminosas, das milícias, do tráfico e por aí vai. É preciso valorizar a polícia e o policial. É preciso gerar oportunidade, dar perspectiva para quem nasce nesses recortes da cidade do Rio de Janeiro", pontuou o apresentador que já cogitou largar a TV para se candidatar a Presidente da República.
Em um momento do desabafo que fez na TV, Luciano Huck abriu parte de sua vida pessoal para revelar uma conversa que teve em casa, durante um jantar com os filhos. "Meus filhos me falaram essa semana: 'Mas pai, é impossível resolver isso'", disse, citando Joaquim, Benício e Eva, todos frutos de seu casamento com Angélica.
O apresentador, então, explicou aos herdeiros seu ponto de vista. "'Não é!' Eu discordei e mostrei pra eles que é possível sim", disse. "Em muitos lugares do mundo, com realidades muito parecidas, isso já aconteceu", avaliou, citando como exemplos Medelin, na Colômbia, e a Nova York dos anos 1980.
O artista listou ainda o que acredita que é preciso ser feito para mudar a realidade do Rio de Janeiro: "Oferecer boas referências, abrir caminhos, mostrar que existem outros futuros possíveis", disse. E disparou: "Porque quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. E é justamente isso que precisa mudar. A gente precisa reconstruir no sentido de pertencimento".
"A violência urbana é a maior dor do Brasil. E quem lucra de verdade com a criminalidade não está no Complexo do Alemão e nem na Penha. Aqueles fuzis, aqueles drones, aquelas armas de guerra não foram fabricados ali e não chegaram ali sozinhos", avisou.
Huck encerrou lembrando também os policiais mortos no confronto: "Eu acredito na polícia pelos seus melhores exemplos e não pelas suas exceções. Os 4 policiais mortos em combate saíram de casa pra trabalhar. E não voltaram. Essa também é uma parte devastadora dessa história". "Nós, brasileiros, queremos paz e segurança", pediu.
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