Quando chega um novo ano, parece inevitável pensar em tudo o que foi vivido! E é possível fazer uma revisão anual psicologicamente saudável, que não seja baseada em conquistas externas, mas na coerência interna. Bea Ruiz, psicóloga clínica, recomenda investir 10 minutos para responder a 20 perguntas em um exercício poderoso de reflexão que nos prepara para 2026. Esse exercício vai além de pensar. É um trabalho de introspecção.
Praticar a introspecção de forma regular, por exemplo por meio de técnicas como o mindfulness, e segundo uma metanálise baseada em 18 estudos, tem efeitos positivos sobre o humor, a inteligência emocional e o desenvolvimento pessoal. O mais importante nesse caso, e em qualquer tipo de trabalho introspectivo que façamos, é ser o mais honesto possível, porque essa reflexão ajuda a crescer.
Além disso, se puder, escreva à mão enquanto reflete sobre as perguntas. A ciência mostra que escrever à mão ativa mais regiões do cérebro do que digitar. Aqui, não se trata apenas de pensar e responder mentalmente, mas de realizar um trabalho de compreensão muito mais profundo para melhorar o autoconhecimento e conseguir focar melhor em projetos, propósitos e objetivos para o novo ano.
Ruiz organiza essas reflexões em quatro categorias: autoconhecimento, relações ou vínculos, bem-estar e futuro. Com elas, trabalhamos a integração do passado, o presente das nossas relações, o estado atual do nosso corpo e a construção de uma visão de futuro com sentido, que nos dê direção.
Além disso, as perguntas têm um enfoque positivo, pois se concentram no que aprendemos ao longo do ano e no que queremos conquistar no novo. É possível responder a todas ou apenas às categorias que mais interessarem, mas o mais importante é ser honesto em todos os momentos. Só assim será possível descobrir um pouco mais quem você é e em quem gostaria de se transformar, como acontece ao criar um vision board.
Essa categoria ajuda a construir uma narrativa interna mais consciente e compassiva sobre quem você é, como cresceu e do que precisa. Do ponto de vista psicológico, fortalece o autoconceito e a autoconsciência, componentes da inteligência emocional. Além disso, trabalha a autoestima a partir de uma perspectiva realista e a coerência interna, permitindo reforçar a identidade ao reconhecer valores, necessidades e conquistas.
Essa autovalidação é essencial como forma de motivação interna, e responder a essas cinco perguntas ajuda nesse processo:
- O que eu descobri sobre mim mesmo este ano?
- Do que eu me senti orgulhoso?
- O que eu agradeço ao meu eu deste ano?
- Quando eu agi de acordo com meus valores?
- Este ano aprendi que preciso de X para estar bem.
O objetivo dessas perguntas é fazer com que, no novo ano, você se relacione de forma mais consciente e menos automática. Elas ajudam a avaliar a qualidade dos vínculos, fortalecer relações seguras e identificar padrões relacionais que podem ser prejudiciais. Psicologicamente, o foco está no desenvolvimento da assertividade e da consciência interpessoal.
- Com quem eu me senti visto?
- Que momento eu quero repetir com alguém?
- Que limite eu quero praticar mais?
- Que conversa pendente eu tenho?
- Que relação eu quero cuidar melhor?
Essas cinco perguntas foram pensadas para reconectar você com o próprio corpo e estimular a autorregulação, algo fundamental em uma cultura marcada pela hiperexigência.
Psicologicamente, ajudam a prevenir o esgotamento no próximo ano, aumentar a consciência somática e ajustar o ritmo de vida aos recursos reais. Trata-se de um trabalho consciente de autocuidado, que permite identificar o que drena energia para reduzir isso e abrir mais espaço, neste ano que se inicia, para aquilo que nutre.
- Que coisa simples me fez bem?
- Que sinais de cansaço eu ignorei?
- O que eu quero fazer mais?
- O que eu posso fazer menos?
- Quando eu me escuto, meu corpo me pede…
Essas perguntas transformam o futuro em um espaço de possibilidades, sem pressão. É um exercício para dar direção sem rigidez, integrando desejos, medos e intenções. Do ponto de vista psicológico, trabalha a motivação intrínseca, a esperança realista e a sensação de agência pessoal. Assim, é possível construir uma projeção mais saudável do eu futuro, com compromisso com pequenas mudanças que evitam a autoexigência excessiva, mas permitem avançar pouco a pouco.
- Que sonho (pequeno ou grande) eu tenho para 2026?
- Que medo eu quero trabalhar?
- O que me aproxima em 1% de quem eu quero ser?
- Minha intenção para 2026 é…
- O que eu prometo a mim mesmo para o próximo ano?
Esse exercício de reflexão é um excelente primeiro passo para encarar o novo ano com uma perspectiva realista, consciente e, acima de tudo, compassiva. Nada melhor para começar um novo ciclo com energias renovadas.