Mesmo após a morte de Penélope mais conhecida como Japinha do CV, o clima de tensão continua no Rio de Janeiro. Agora, as atenções se voltam para Edgar Alves de Andrade, o Doca, também chamado de Urso, que segue foragido e é considerado o chefão da facção na região do Complexo da Penha. Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, a captura do criminoso é apenas "questão de tempo".
Nesta semana, uma megaoperação das polícias Civil e Militar nos complexos da Penha e do Alemão escancarou a alta letalidade dos confrontos armados no Rio de Janeiro e gerou forte repercussão nas redes sociais. Bruna Marquezine, Xamã e Fátima Bernardes foram alguns dos famosos que se manifestaram sobre a tragédia. A ação, que tinha como objetivo prender líderes do Comando Vermelho, terminou com 132 mortes, de acordo com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro.
Durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (31), Felipe Curi não poupou palavras ao descrever o traficante: "É a personificação do narcoterrorista". O secretário explicou que Doca é acusado de ordenar execuções de desafetos e até de meninos que furtaram uma gaiola de passarinho na Baixada Fluminense.
"É um criminoso que deu a ordem para matar os meninos de Belford Roxo por causa de furto de uma gaiola de passarinho. Impõe a lei do silêncio. E temos relatos de que moradores não aguentam mais o Doca. O feedback dessa operação foi maravilhoso, pediram mais. Por um triz não prendemos o Doca. Mas a hora dele vai chegar", afirmou Curi.
O delegado reforçou que o traficante é um dos nomes mais temidos do Comando Vermelho, com influência em diversas comunidades do Rio.
De acordo com promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), Doca é apontado como o principal líder do CV no Complexo da Penha e em áreas dominadas pela facção, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento. Ele teria expandido o território da quadrilha após tomar regiões que antes pertenciam à milícia.
O criminoso é investigado por mais de cem homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores. Um dos casos mais chocantes ocorreu em outubro de 2023, quando três médicos foram mortos e uma quarta pessoa ficou ferida em um ataque na Barra da Tijuca. As vítimas participavam de um congresso e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras.
O Disque Denúncia está oferecendo uma recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à prisão de Doca, o mesmo valor oferecido pela captura de Fernandinho Beira-Mar, preso há 20 anos e ainda considerado o chefe máximo do Comando Vermelho.
O traficante tem como braço direito um comparsa conhecido como BMW, suspeito de comandar a nova guerra entre traficantes e milicianos nas comunidades de Gardênia Azul e Rio das Pedras. De acordo com investigações da Polícia Civil, BMW também é procurado por envolvimento no assassinato dos médicos na Barra.
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Doca pode entrar em contato com o Disque Denúncia pelos números (021) 2253-1177 ou 0300-253-1177, pelo WhatsApp anonimizado (021) 2253-1177 ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ.
Segundo o secretário, o Complexo da Penha e o Complexo do Alemão se tornaram verdadeiros quartéis-generais do Comando Vermelho, servindo de refúgio e base para planejamento de ataques. O governo federal avalia transferir líderes de facções para presídios federais para conter o avanço do grupo.
Além de ser um dos criminosos mais procurados do estado, Doca foi alvo da operação Buzz Bomb, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2024. A ação investigava o uso de drones lançadores de granadas em áreas controladas pelo tráfico. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), há mais de 20 mandados de prisão contra ele.
Na ocasião, o traficante teve a prisão preventiva decretada pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, pelos crimes de organização criminosa e posse de material explosivo, delitos que podem somar até 14 anos de prisão.
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