Patricia Vera, treinadora: ‘Chegar aos 50 ou 60 anos e não fazer musculação por achar que já não tem idade para isso, dedicando-se apenas a caminhar, é um grande erro’
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 10:04
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Abandonar o treinamento de força é um erro se queremos envelhecer de maneira saudável
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À medida que envelhecemos, algumas coisas começam a mudar. Quase sem perceber, levantamos menos peso, evitamos determinados esforços ou deixamos de realizar atividades que antes faziam parte de nossa rotina porque se tornaram mais difíceis.

O problema surge quando partimos do princípio de que essa mudança é inevitável e pensamos que, depois dos 50 anos, é hora de diminuir o ritmo e que caminhar é praticamente tudo de que precisamos para nos manter ativos.

Mas essa ideia não corresponde à realidade. 

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Caminhar é importante e traz inúmeros benefícios — ninguém questiona isso —, mas não substitui aquilo que apenas o treinamento de força é capaz de proporcionar: preservar os músculos, proteger os ossos e garantir que você continue conseguindo se levantar do chão sozinha daqui a 20 anos.

É sobre isso que a treinadora Patricia Vera, fundadora da Malagaentrena, fala sem rodeios em uma entrevista à revista Telva.

O corpo não muda de uma hora para outra, mas pelo acúmulo de hábitos

Vera começa desconstruindo a imagem que quase todos nós temos na cabeça sobre o envelhecimento: a de um interruptor que é acionado em determinado dia.

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“Pensamos que, ao completar certa idade, nosso corpo muda de repente”, explica.

Nada poderia estar mais distante da realidade. O que acontece se parece mais com um gotejamento, tão lento que mal conseguimos percebê-lo enquanto ocorre.

“Primeiro você deixa de correr. Depois, deixa de pular. Em seguida, evita se abaixar. Começa a usar sempre o elevador. A cada dia, carrega menos peso”, resume a treinadora.

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Cada uma dessas atitudes, quando analisada separadamente, parece irrelevante. O problema, porém, está na soma de todas elas, pois pouco a pouco retiram o movimento de nossa rotina diária.

A forma como envelhecemos começa a ser construída agora

E é justamente aí que está o principal alerta da treinadora: acreditar que chegar aos 50 ou 60 anos significa reduzir a atividade física a caminhadas, deixando de lado o treinamento de força por associá-lo, sem qualquer fundamento, a outra faixa etária.

Segundo ela, a maneira como estaremos aos 70 anos não é algo que se resolve apenas quando essa idade chega. Ela está sendo construída neste exato momento, por meio de cada uma dessas pequenas decisões, inclusive quando temos 30 anos.

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“Quando você tem 45 ou 50 anos, os 70 parecem suficientemente distantes para não se preocupar muito. Mas essas duas décadas vão passar, e as decisões aparentemente pequenas que você repete hoje podem ter um impacto muito maior do que qualquer intervenção espetacular que tente fazer daqui a 20 anos”, alerta.

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A importância de trabalhar a força

Há algo paradoxal na relação que mantemos com a força à medida que envelhecemos. Durante décadas, nós a treinamos, em grande parte, para melhorar nossa aparência física na hora de sair ou paquerar.

No entanto, justamente quando ela começa a se tornar mais importante para preservar a autonomia e a capacidade física, tendemos a deixá-la de lado.

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“Esse é um dos erros que mais me preocupam. Muitas pessoas fazem exatamente o contrário do que deveriam à medida que envelhecem. Treinam força aos 30 porque querem ter uma boa aparência e, quando chegam aos 50 ou 60, começam a abandonar os pesos porque acham que já não são adequados para a idade”, conta a especialista, com certa frustração, durante a entrevista.

Caminhar não substitui a musculação

Uma das mudanças mais comuns consiste em substituir a musculação por caminhadas. 

Embora caminhar seja uma atividade recomendável, ela não oferece exatamente os mesmos benefícios quando falamos em preservar a massa muscular e a força.

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“Caminhar é fantástico e recomendo que todos façam isso. Mas não produz as mesmas adaptações que levantar uma resistência”, destaca Patricia Vera.

À medida que deixamos de trabalhar contra uma resistência, capacidades como massa muscular, potência e equilíbrio podem diminuir, algo que acaba sendo percebido até mesmo em ações cotidianas, como levantar-se de uma cadeira ou carregar as sacolas de compras.

Por isso, quanto mais envelhecemos, menos sentido faz abandonar o treinamento de força.

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O sedentarismo se instala aos poucos

Se existe um segundo erro que preocupa especialmente Vera, é aquele que raramente mencionamos porque ninguém toma essa decisão de forma consciente: movimentar-se cada vez menos sem perceber.

Não é como se alguém decidisse, em uma segunda-feira qualquer, tornar-se sedentário. Isso acontece aos poucos.

“Você passa a usar mais o carro. Usa sempre o elevador. Trabalha oito horas sentada. Pede para entregar coisas que antes saía para comprar a pé”, enumera a treinadora.

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Segundo ela, o corpo é uma máquina que se adapta com uma precisão impressionante àquilo que exigimos dele — e esse mesmo mecanismo se volta contra nós quando não exigimos nada.

Por isso, a especialista insiste que treinar três vezes por semana não compensa o restante do dia se passamos todas essas horas completamente imóveis.

Frequentar uma aula de pilates ou de treinamento funcional duas vezes por semana é positivo, mas não adianta muito se as horas restantes são passadas sentada, praticamente sem mudar de posição.

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Dormir bem também faz parte do treinamento

O terceiro ponto cego apontado pela treinadora está menos relacionado ao movimento e mais ao descanso, algo que costumamos normalizar a ponto de esquecer que também faz parte do treinamento.

“Dormir mal afeta a recuperação, o desempenho físico e cognitivo, o apetite, o humor e nossa capacidade de treinar corretamente”, alerta a treinadora.

Podemos ter a melhor rotina de força do mundo, com uma progressão perfeitamente planejada, mas, se a qualidade do sono é ruim há anos, uma parte enorme do processo está sendo negligenciada.

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