Ney Matogrosso na Sapucaí: mais de 120 artistas disputaram vaga para viver o cantor no desfile da Imperatriz
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 00:57
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
João Vítor Linhares foi um dos escolhidos para viver Ney Matogrosso na Avenida após disputar vaga com mais de 120 candidatos.
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Não é exagero dizer que viver Ney Matogrosso na Avenida é assumir um desafio quase mítico! Ícone da transgressão, dono de uma das vozes mais marcantes da música brasileira e referência estética desde os anos 1970, o artista foi o grande homenageado da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval 2026 e a disputa para representá-lo foi intensa... mais de 120 artistas concorreram a uma vaga na comissão de frente. Eita!

O enredo “Camaleônico”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, levou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí as múltiplas camadas do cantor (do impacto performático nos tempos de Secos & Molhados à carreira solo marcada por clássicos como “Homem com H” e o disco "Bandido"). Mas, antes de chegar à Avenida, houve teste, tensão e transformação.

João Vítor Linhares viveu Ney pela terceira vez na carreira

Entre os escolhidos está o ator e diretor João Vítor Linhares, de 28 anos, que vive Ney pela terceira vez na carreira. A história começou ainda no ano passado, quando ele assistiu à cinebiografia "Homem com H" e teve uma intuição: Ney viraria enredo. Meses depois, a confirmação veio na TV! “Muitos amigos começaram a me mandar mensagens dizendo que eu precisava estar naquele desfile, então eu comecei a sonhar com isso”, disse ele.

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Quando as audições foram abertas, em agosto, João se inscreveu. No callback, diante da banca e em meio a mais de 120 candidatos, decidiu ir além do que era esperado. Pediu permissão para “virar o Ney”. Retirou parte da roupa, revelou uma saia vazada e um adereço de penas na cabeça. A sala reagiu com aplausos imediatos. Dias depois, recebeu a confirmação.

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Uma conexão que atravessa anos

A relação de João com Ney não nasceu agora. Formado em Teatro pela UNIRIO, ele desenvolve há cerca de oito anos uma pesquisa sobre performance, corporeidade e cabaré. E foi nesse mergulho artístico que encontrou o cantor como referência central.

“Depois que comecei a pesquisar Sebastian Droste e os Dzi Croquettes, o Ney passou a me vestir como uma luva. Existe afinidade estética, física e simbólica. O desbunde ficou comigo. As pessoas passaram a me associar a ele e cada retorno ao Ney se tornou também uma nova camada da minha pesquisa como ator”, acrescentou na nota enviada à imprensa.

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Em 2023, essa conexão ganhou contornos ainda mais simbólicos. João interpretou Ney na fase Secos & Molhados no filme "Sem Vergonha", sobre Maria Alcina, contracenando com o próprio homenageado da Sapucaí. “Ali eu me apaixonei não só pelo artista, mas pela pessoa. Ele é simples, generoso e extremamente profissional”.

No ano seguinte, voltou a encarnar o cantor no espetáculo "Copacabana (Tu) Não Me Engana", no Teatro Glaucio Gill. Agora, o palco foi outro e dez vezes maior!

Preparação do ator foi digna de campeonato

Desde setembro, os ensaios da comissão de frente acontecem à noite, com aumento progressivo de carga horária e workshops específicos para a construção da corporeidade do personagem. Fora da quadra, João mantém rotina disciplinada: alimentação regrada, prática de yoga e estudo constante de registros de Ney... gesto, olhar, respiração, energia.

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“Fazer carnaval envolve muita responsabilidade, ainda mais dentro de um campeonato disputando título. Nunca vivi nada parecido”, contou. Ele também destacou a recepção da escola: “A Imperatriz Leopoldinense é uma grande escola, marcada por tradição e excelência. Desde o primeiro ensaio de rua, encontrei uma comunidade muito unida e generosa. Hoje me sinto em casa”.

O Ney que atravessou décadas e padrões

A escolha de Ney como enredo não é só artística, como simbólica. Nascido em Bela Vista (MS), o cantor construiu uma carreira marcada pela ousadia estética, pela androginia assumida e por performances que desafiaram os padrões de masculinidade em plena ditadura militar. 

Considerado pela revista Rolling Stone a terceira maior voz brasileira de todos os tempos, ele transitou entre gêneros, reinterpretou gigantes como Chico Buarque e Cartola e se consolidou como um dos maiores performers do país.

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No desfile “Camaleônico”, a Imperatriz traduziu esse universo plural em cores, texturas e efeitos de iluminação. Referências ao movimento gay power, figurinos ciganos e indígenas, macramê, lantejoulas, pelos e jogos cromáticos devem compor uma narrativa visual que espelha o próprio artista: múltiplo, mutante, provocador.

Além da comissão de frente, outros intérpretes representaram diferentes fases do cantor ao longo da apresentação. A ideia foi mostrar que não existe um único Ney. Existe o homem, o bicho, o poema que afronta o sistema.

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