A psicóloga Sandra Ferrer sobre o ghosting: 'Como adulto, você precisa assumir a responsabilidade pelo que entregou. É uma responsabilidade emocional'
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 13:17
Por Matheus Queiroz | Notícias dos famosos, TV e reality show
Jornalista por vocação, apaixonado por música, colecionador de CDs e neto perdido de Rita Lee.
Pode parecer um problema bobo oriundo da geração online, mas causa impacto emocional nas vítimas.
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O ghosting é o nome que se dá quando alguém corta toda a comunicação de forma abrupta com você, sem dar nenhuma explicação do porquê. A pessoa praticamente deixa de existir na sua vida: daí o nome referente a “ghost”, que significa “fantasma” em inglês.

Essa prática é muito associada ao vácuo nas redes sociais, mas é estudada muito antes do advento de plataformas como Instagram e WhatsApp. O sociólogo Zygmunt Bauman já discutia o ghosting em seu livro de 2003, "Liquid Love".

Com os tipos de relacionamento que temos hoje, descritos pela socióloga Eva Illouz no livro "The End of Love", parece que fomos condicionados a descartar conexões sociais e seguir em frente sem considerar que, dependendo de como terminamos as coisas, podemos estar magoando alguém.

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Sandra Ferrer, psicóloga especializada em apego e trauma relacional, explica que, sociologicamente falando, estamos vivendo em "uma época em que há uma ode à alegria”. “Não gostamos do atrito que vem com o relacionamento", iniciou a especialista no programa "Aprendendo Juntos", do BBVA.

É nesse momento que o ghosting entra em cena: parece mais fácil ignorar a pessoa do que tentar resolver um conflito. Pode parecer um problema bobo oriundo da geração online, mas causa impacto emocional nas vítimas.

Quem fica para trás convive com a incerteza e até com culpa, o que leva à baixa autoestima, dependência emocional, ansiedade e diminuição da confiança, segundo especialistas. “Ghosting é violência”, dispara a psicóloga. 

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A psicóloga explica que aqueles que desaparecem sem dar explicações atendem a uma série de critérios. O primeiro deles é não lidar bem com a intensidade emocional. Em qualquer relacionamento, existem situações e conflitos mais difíceis de administrar e que exigem maior maturidade, o que afasta essas pessoas. “É muito mais fácil fazer piadas, tomar um vinho ou conversar sobre o trabalho do que dizer: 'Olha, estou com dúvidas sobre nós'", descreve Ferrer.

A segunda característica que compartilham é que "são pessoas com um certo grau de irresponsabilidade, ou até mesmo muita irresponsabilidade", que ignoram as consequências de seus atos.

"Como adulto, você precisa assumir a responsabilidade pelo que oferece. Tudo o que você diz, verbalmente ou não verbalmente, tem consequências para qualquer relacionamento que você construa. E isso é responsabilidade emocional", explicou Ferrer.

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A psicóloga pontua que precisamos assumir a responsabilidade por nossas feridas para construir relacionamentos melhores. “Não fale com a outra pessoa a partir de um lugar de mágoa. Não fale com ela como se você fosse a criança no porão. Fale com ela como um adulto maduro que consegue enxergar claramente todas as suas facetas”, detalha.

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