Javier de Haro, psicólogo: 'Quando uma criança calça seus sapatos, ela não está apenas brincando, há muito mais do que isso'
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 06:20
Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
Já viu seu filho com seus sapatos gigantes, andando todo desajeitado? O psicólogo Javier de Haro revela o que esse gesto, comum entre 2 e 5 anos, ensina às crianças sobre o mundo adulto e a própria identidade
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Quem convive com criança pequena certamente já viu essa cena: de repente, ela surge com o sapato do pai arrastando no chão ou com o salto da mãe parecendo um 'barco', andando toda desajeitada pela casa. A gente ri, filma, manda no grupo da família... só que, para a psicologia, esse momento tem bem mais significado do que parece.

É exatamente isso que o psicólogo Javier de Haro, conhecido nas redes sociais por falar sobre educação e criação, explica na série de vídeos 'Por que meu filho faz isso?'. No primeiro episódio, ele fala sobre o fato das crianças usarem peças de adultos, calçarem sapatos dos pais, usarem acessórios e tentarem 'ser gente grande' por alguns minutos.

Esse é um comportamento super comum entre os dois e os cinco anos, mas não é aleatório. Junto dessas atitudes, a curiosidade no máximo, vontade de explorar tudo e a clássica mania de imitar também marcam essa fase do desenvolvimento infantil. 

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Para o especialista, a criança observa os adultos o tempo todo e, do jeito dela, vai testando o mundo.

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Javier de Haro explica que a brincadeira em que a criança faz de conta que é outra pessoa é algo a se observar e debater nessa idade. Segundo o especialista, quando ela 'vira' mãe, pai ou qualquer figura adulta, está ensaiando para sua vida adulta, mesmo que ainda muito cedo.

"Por meio da brincadeira, elas transitam da infância para a percepção de si mesmas como adultos: mãe, pai ou qualquer outro modelo a seguir", explica ele. Segundo o psicólogo, ao experimentar esse papel, a criança começa a 'montar' quem ela é, quem ela pode ser e como ela se encaixa dentro da família.

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Além da parte de desenvolvimento, esse gesto também pode ser uma forma de se sentir mais perto dos pais, como se usar um objeto de adulto aproximasse a criança do mundo adulto: "É uma forma simbólica de pertencimento: compartilhar objetos de adultos faz com que a criança se sinta parte do seu mundo", diz Javier.

O que os pais devem fazer nessa situação?

Ao imitar, a criança vai entendendo como as pessoas se comportam, quais regras existem, como os adultos interagem e o que é esperado em certas situações. A orientação de Javier de Haro é a seguinte: você não precisa cortar esse comportamento como se fosse 'mania' ou 'bagunça'. Se está seguro e não há risco, pode deixar acontecer.

"Quando você ver seu filho andando desajeitadamente com seus sapatos enormes, não os tire. Eles estão dando passos importantes para se tornarem quem são e quem se tornarão", indica Javier de Haro.

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