De acordo com os psicólogos, as pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90 desenvolveram a falácia da chegada por culpa dos finais felizes
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 13:48
Um professor de Harvard, especializado em psicologia positiva, acredita que finais felizes são um veneno cultural. Nos acostumamos com essa ideia, mas nosso cérebro funciona de maneira diferente
As pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90 desenvolveram a falácia da chegada por culpa dos finais felizes Muitos filmes nos dão a ideia de que o 'felizes para sempre' é o objetivo principal de nossas vidas Isso faz com que muitas pessoas se sintam frustradas mesmo depois de conquistas importantes Dr. Tal Ben-Shahar criou o termo 'falácia da chegada', que indica que a felicidade duradoura só virá depois de uma conquista Em vez de se apegar a essa ideologia, o ideal é aprender a valorizar o processo, o caminho e tudo o que esse percurso envolve
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Seja em filmes da Disney, histórias infantis ou comédias românticas, a ideia de 'felizes para sempre' se infiltrou no nosso imaginário coletivo como se fosse o grande objetivo da vida. Não era apenas crescer, formar uma família e alcançar a felicidade plena: essa era quase uma filosofia que acabou influenciando nossa forma de pensar e sentir desde muito cedo.

O Dr. Tal Ben-Shahar, professor de Harvard e especialista em psicologia positiva, criou um termo inspirado justamente nessa lógica do 'felizes para sempre', que segue nos impactando até hoje. Ele chama isso de falácia da chegada e, ao relacioná-la ao clímax emocional dos filmes das décadas de 80 e 90, mostrou o quanto esses finais acabaram se tornando um verdadeiro veneno cultural.

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A falácia da chegada, segundo a psicologia

O que a psicologia define como falácia da chegada parte da crença equivocada de que atingir um objetivo vai garantir felicidade duradoura: "Se eu me casar com essa pessoa, serei feliz". "Se eu conseguir esse emprego, não vou mais me preocupar com nada". "Se eu ganhar X por mês, tudo estará resolvido". O problema dessa lógica é que ela trata a felicidade como um destino final, quando, na verdade, ela é um estado passageiro, regulado pelo próprio cérebro.

Um dos melhores exemplos disso aparece em estudos psicológicos feitos com ganhadores de loteria. Na maioria dos casos, poucos meses depois de receberem o prêmio, essas pessoas relatam níveis de felicidade muito parecidos com os que tinham antes da mudança radical em suas vidas. Não é que tudo tenha piorado; é que o cérebro simplesmente se adaptou à nova realidade, num processo que os especialistas chamam de adaptação hedônica.

A frustração que muitos de nós sentimos depois de alcançar certos objetivos vem exatamente daí. Inclusive, costuma-se dizer que somos mais felizes antes de conquistar algo do que depois, justamente por causa da expectativa: a famosa sala de espera da felicidade. Quando finalmente chegamos lá e percebemos que aquilo não era tão extraordinário assim, ou que não resolve todos os nossos problemas, o encanto se perde e, rapidamente, voltamos ao nosso estado habitual.

A felicidade está além das metas

O que a psicologia vem defendendo, e que a Geração Z parece ter abraçado melhor do que qualquer outra, é a necessidade de abandonar a ideia de que precisamos atingir metas para sermos felizes. Em vez disso, é aprender a valorizar o processo, o caminho e tudo o que esse percurso envolve.

Abrir mão de expectativas irreais e enxergar a vida como um fluxo constante de mudanças nos afasta daquele "e viveram felizes para sempre", mas também nos protege de dar peso demais a um vazio que, muitas vezes, confundimos com infelicidade ou fracasso.

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Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
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