A psicologia explica: se você sente ansiedade todo domingo à noite sem motivo aparente, isso não é algo banal
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 19:11
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Antecipação da semana, pensamentos repetitivos e dificuldade de se desligar do trabalho estão entre as possíveis causas desse desconforto
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O domingo à noite pode ser sinônimo de angústia, mesmo quando nada em particular parece justificar essa sensação. À medida que o fim de semana chega ao fim, algumas pessoas já começam a temer a segunda-feira e a semana que têm pela frente.

No entanto, essa ansiedade não é necessariamente fruto de simples pensamentos repetitivos: a psicologia aponta diversos mecanismos capazes de explicá-la.

Essa sensação corresponde, sobretudo, ao que chamamos de ansiedade antecipatória, que ocorre quando uma pessoa sente preocupação ou tensão diante de um acontecimento futuro, e não de uma situação que está ocorrendo naquele momento.

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Assim, mesmo quando nenhum problema concreto aconteceu, o cérebro pode começar a imaginar o que poderá ocorrer no dia seguinte.

Estudos sobre a intolerância à incerteza, entre eles os conduzidos pelo psicólogo Michel Dugas e seus colaboradores, sugerem que a dificuldade de aceitar as incertezas relacionadas ao futuro pode favorecer a preocupação e a ansiedade. 

O cérebro começa, então, a preencher as lacunas da segunda-feira antes mesmo de ela começar.

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O domingo pode se transformar em um sinal de alerta

Também existe um fenômeno de condicionamento. Quando uma pessoa enfrenta segundas-feiras estressantes com frequência, seu cérebro pode acabar associando determinados elementos do domingo à proximidade da semana de trabalho.

O passar das horas, o jantar de domingo, o hábito de consultar a agenda ou até mesmo o pôr do sol podem servir como lembretes de que o fim de semana está acabando.

Esse mecanismo se aproxima dos princípios do condicionamento clássico, associados aos estudos do psicólogo Ivan Pavlov. Um elemento neutro pode ser progressivamente associado a um acontecimento carregado de emoção quando ambos se repetem juntos.

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Assim, quando as noites de domingo antecedem com frequência manhãs difíceis, o próprio domingo à noite pode acabar provocando uma sensação de tensão. A ansiedade pode surgir antes mesmo que um acontecimento realmente estressante ocorra.

O trabalho pode continuar ocupando a mente durante o fim de semana

Outra explicação se baseia nas pesquisas da psicóloga Sabine Sonnentag sobre o distanciamento psicológico do trabalho. Trata-se da capacidade de deixar mentalmente as atividades profissionais de lado durante os períodos de descanso.

Segundo o modelo de estresse e distanciamento desenvolvido pela pesquisadora, as exigências profissionais podem impedir esse processo de recuperação. Estudos mostram, inclusive, que a dificuldade de se desconectar do trabalho está associada a níveis mais elevados de tensão e a um menor bem-estar.

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Uma pessoa pode conseguir não pensar no trabalho durante o sábado, mas começar, já no domingo à noite, a antecipar mentalmente a segunda-feira. O fim de semana ainda não terminou, mas, psicologicamente, a semana de trabalho já recomeçou.

Pesquisas realizadas com funcionários em período integral mostraram, por exemplo, que as tensões sociais relacionadas ao trabalho estavam associadas a um menor distanciamento psicológico no domingo à noite, assim como a uma pior qualidade do sono naquela noite.

Os pensamentos repetitivos podem alimentar a ansiedade

As ruminações constituem outro mecanismo possível. Elas podem envolver pensar repetidamente em uma conversa difícil com um superior, imaginar como será uma reunião marcada para segunda-feira ou calcular mentalmente tudo o que precisará ser feito.

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Esse funcionamento pode dar a impressão de que a pessoa está se preparando para a semana que começa, quando, na verdade, mantém a mente em um estado de alerta relacionado ao trabalho.

Pesquisas recentes conduzidas por Sabine Sonnentag e seus colaboradores mostraram que, quando os funcionários não conseguiam se distanciar de acontecimentos profissionais negativos durante o tempo livre, as ruminações negativas voltadas para o passado estavam associadas a um número maior de emoções negativas no dia seguinte.

O ciclo pode, então, alimentar a si mesmo: pensar na segunda-feira aumenta a ansiedade; essa ansiedade faz com que a segunda-feira pareça mais ameaçadora; e essa percepção leva a pessoa a pensar ainda mais no que poderá acontecer.

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O retorno às obrigações também pode pesar

O domingo também pode marcar uma mudança importante na maneira como uma pessoa controla o próprio tempo. 

Durante o fim de semana, geralmente há mais liberdade: é possível dormir até mais tarde, escolher as próprias atividades e decidir quando atender às diferentes demandas.

Na segunda-feira, essa autonomia dá lugar ao retorno das obrigações e das responsabilidades profissionais. Pesquisas sobre a recuperação durante o fim de semana sugerem, inclusive, que atividades revigorantes podem ajudar a restaurar os recursos psicológicos necessários antes da volta ao trabalho.

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Portanto, uma pessoa pode não odiar o próprio emprego e, ainda assim, sentir certa apreensão diante da passagem da liberdade do fim de semana para o retorno das obrigações.

A angústia de domingo não significa necessariamente que você odeia seu trabalho

Sentir o que às vezes é chamado de “domingos assustadores” não significa automaticamente que a pessoa esteja inserida em um ambiente profissional ruim ou sofra de um transtorno de ansiedade.

Para algumas pessoas, essa sensação pode corresponder simplesmente a um estresse antecipatório comum. 

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Para outras, porém, a ansiedade dominical persistente pode estar relacionada a uma carga de trabalho excessiva, à falta de limites entre a vida profissional e pessoal, ao esgotamento profissional ou até mesmo a um ambiente de trabalho realmente estressante.

É principalmente a repetição desse fenômeno que deve chamar a atenção. Se essa ansiedade prejudica regularmente o sono, os relacionamentos ou as atividades cotidianas, ou impede a pessoa de aproveitar boa parte do fim de semana, pode ser pertinente conversar com um profissional qualificado.

Quando o domingo à noite já começa a parecer segunda-feira

O que caracteriza a ansiedade do domingo à noite é justamente o fato de que o acontecimento temido ainda não ocorreu. A pessoa ainda está no domingo à noite, mas sua mente já se projetou para a manhã de segunda-feira.

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A psicologia sugere que esse mecanismo pode ser explicado por nossa tendência de antecipar constantemente as demandas futuras. 

Quando o estresse profissional, a incerteza, a dificuldade de se desconectar do trabalho e os pensamentos repetitivos se combinam, o fim do fim de semana pode se transformar progressivamente em um verdadeiro sinal de alerta.

Portanto, sentir ansiedade todo domingo à noite, mesmo quando nada de particular está acontecendo, não significa necessariamente que um problema esteja ocorrendo naquele momento. 

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O cérebro pode simplesmente ter aprendido a se preparar para aquilo que espera vivenciar no dia seguinte.

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