A psicologia afirma que as pessoas que se alegram com as desgraças alheias não são más, mas buscam justiça
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 15:39
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Sentir satisfação com a tristeza dos outros nem sempre significa maldade, segundo a psicologia, mas Vanessa de 'Por Você' prova o contrário; entenda a diferença
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Existe uma teoria da psicologia que, à primeira vista, parece bastante contraditória: sentir satisfação diante da desgraça de outra pessoa não significa necessariamente que alguém seja mau. É possível acreditar? 

A ficção apresenta um contraste interessante. Na atual novela das sete da Globo, 'Por Você',  Vanessa, personagem de Alinne Moraes, parece estar muito distante desse mecanismo. 

A médica demonstra pouca ou nenhuma compaixão pelos quatro filhos de Juli (Lucy Ramos), que ficaram órfãos depois da morte acidental da mãe.

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Como se não bastasse, ela ainda contribuiu para que as crianças fossem encaminhadas para um abrigo, mesmo depois de terem recebido carinho e cuidado de Bela (Sheron Menezzes), a melhor amiga de Juli.

Então, o que a psicologia explica sobre pessoas que se alegram com a tristeza alheia?

Esse comportamento é conhecido como Schadenfreude, palavra de origem alemã usada para descrever o prazer ou a satisfação diante do sofrimento ou do infortúnio de outra pessoa. O termo costuma ser associado à maldade, à inveja ou à falta de empatia, mas a psicologia mostra que a questão é mais complexa.

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Esse sentimento pode aparecer, por exemplo, quando existe uma forte comparação social

Ao perceber que alguém considerado mais bem-sucedido, privilegiado ou injusto enfrenta uma dificuldade, uma pessoa pode experimentar uma sensação inconsciente de equilíbrio. É como se, por alguns instantes, a vida estivesse 'fazendo justiça'.

Outra possibilidade está relacionada à autoestima. Pessoas inseguras podem comparar constantemente a própria vida com a dos outros e sentir satisfação quando percebem que alguém que consideravam superior também enfrenta problemas.

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Difícil acreditar, mas existe ainda o componente da justiça. Quando alguém acredita ter sido prejudicado ou injustiçado, pode sentir uma espécie de alívio ao perceber que outra pessoa também está enfrentando consequências.

A psicóloga da saúde Encarni Muñoz explicou ao site Mundopsicólogos que esse sentimento pode aparecer justamente diante da percepção de injustiça: se eu fui prejudicado, pode surgir a sensação de que outras pessoas também deveriam experimentar dificuldades.

Isso significa que todo mundo que sente esse tipo de satisfação é cruel? Não. O sentimento, por si só, não transforma alguém em uma pessoa má.

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Uma coisa é experimentar uma reação espontânea diante de uma situação; outra completamente diferente é desejar ativamente que alguém sofra, provocar esse sofrimento ou sentir prazer constante com a dor alheia.

Aí a psicologia mostra que pessoas com níveis maiores de empatia tendem a experimentar esse sentimento com menor frequência, justamente porque conseguem imaginar como seria estar no lugar de quem está sofrendo.

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Como evitar o prazer diante da tristeza dos outros?

Existe uma maneira de lidar melhor com esse tipo de reação. Uma das estratégias é tentar interromper a comparação e se perguntar: “Eu gostaria que alguém sentisse prazer se algo ruim acontecesse comigo?” Essa mudança de perspectiva pode ajudar a desenvolver empatia.

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Também pode ser saudável voltar a atenção para a própria vida. Em vez de acompanhar constantemente o que acontece com o vizinho, colega ou conhecido, concentrar energia nas próprias metas, experiências e objetivos reduz a necessidade de comparação.

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