Quem é Augusto Cury? Aos 67 anos, escritor que vendeu mais de 40 milhões de livros tem R$ 242 milhões e disputa a Presidência com teoria questionada por especialistas
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 00:09
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Natural do interior de São Paulo, o escritor estreou nas urnas aos 67 anos e aparece com 1% a 2% nas pesquisas de intenção de voto
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Augusto Cury passou décadas conhecido principalmente pelas livrarias, palestras e cursos ligados a comportamento, emoções e desenvolvimento pessoal. Aos 67 anos, o escritor e psiquiatra decidiu trocar esse universo pela disputa eleitoral e é candidato à Presidência da República pelo Avante nas eleições de 2026.

A estreia na política ocorre com números expressivos fora das urnas: Cury afirma ter vendido mais de 40 milhões de exemplares e ter livros publicados em 70 países. A Folha de S.Paulo, por sua vez, registrou que o escritor tinha cerca de 9 milhões de seguidores e mais de 70 livros publicados.

Dentro da corrida presidencial, porém, o cenário é bem diferente. Nos levantamentos mais recentes, Cury aparece na faixa de 2% das intenções de voto. No Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, considerando pesquisas divulgadas até 21 de agosto, a estimativa era de 1%. No Datafolha realizado de 18 a 21 de agosto e no BTG/Nexus feito de 21 a 23 de agosto, ele marcou 2%.

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É entre essa distância, entre a popularidade construída como escritor e a baixa conversão em votos, que se situa a candidatura de Cury. Ele se filiou ao Avante e foi lançado pela legenda como candidato à Presidência. A candidatura representa sua primeira disputa eleitoral. O partido tem origem no antigo PTdoB, legenda que adotou o nome Avante em 2017. Na eleição presidencial, Cury tem Júlio Delgado como candidato a vice.

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De onde veio a fama de Augusto Cury?

Natural de Colina, no interior de São Paulo, Cury é médico formado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e fez pós-graduação na PUC de São Paulo. Sua projeção nacional veio sobretudo dos livros.

Entre suas obras mais conhecidas estão “O Vendedor de Sonhos”, “Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século” e “O Homem Mais Inteligente da História”. “O Vendedor de Sonhos” ganhou adaptação cinematográfica dirigida por Jayme Monjardim.

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A fortuna de R$ 242,28 milhões

Segundo os dados apresentados à Justiça Eleitoral e compilados pelo InfoMoney, Cury declarou R$ 242.281.162,52 em bens. Com esse valor, aparece no topo da lista de patrimônios declarados pelos presidenciáveis no levantamento publicado em 20 de agosto. O patrimônio está distribuído em 56 bens, de acordo com outro levantamento do portal.

Um dos itens mais volumosos é um empréstimo de R$ 121,19 milhões à Filadélfia Nature Participações, empresa da qual Cury também possui participação de R$ 15,61 milhões, segundo o veículo.

A CNN detalhou ainda a existência, na declaração eleitoral, de 17 fazendas, dois apartamentos, dois prédios comerciais e um imóvel urbano, além de investimentos e participações societárias.

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Assim, ele chega ao pleito como um dos nomes mais ricos da disputa, mas não está entre os candidatos que lideram as pesquisas. Para efeito de comparação, o levantamento do InfoMoney apontava Cury com R$ 242,28 milhões, Romeu Zema com R$ 178,7 milhões, Pablo Marçal com aproximadamente R$ 149,9 milhões, Ronaldo Caiado com R$ 52,5 milhões, Flávio Bolsonaro com R$ 8,18 milhões e Lula com R$ 4,77 milhões declarados.

A teoria que colocou Cury no centro de críticas

É justamente naquilo que tornou Cury famoso que está uma das principais controvérsias de sua trajetória. O escritor é criador da Teoria da Inteligência Multifocal, apresentada como uma abordagem para explicar o funcionamento da mente e a construção dos pensamentos. O método está no centro de sua obra e também aparece em cursos e projetos educacionais associados ao seu nome.

O problema é que a teoria não é reconhecida pela comunidade científica como uma teoria científica validada.

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Em reportagem publicada pela Folha em abril, cinco psiquiatras consultados pelo jornal afirmaram que a abordagem não possui embasamento científico e disseram não utilizá-la na prática clínica. Entre os especialistas ouvidos estava Wagner Gattaz, professor da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências, que afirmou desconhecer a teoria e questionou a apresentação de uma teoria própria sem validação científica.

A reportagem também recuperou um trecho de “Inteligência Multifocal”, de 1999, no qual Cury escreveu que sua abordagem teria produzido resultados em doenças psíquicas de difícil tratamento, mencionando inclusive pacientes autistas. Esse ponto exige cuidado: autismo não tem cura, e não há evidência científica estabelecida de que a Teoria da Inteligência Multifocal trate ou “resolva” a condição.

Cury contestou as críticas feitas à sua teoria. À Folha, afirmou que há aspectos da abordagem que possuem validação e disse que pessoas que estudaram o método poderiam avaliar seus resultados. Também afirmou que, quando falou em “resolução” de casos de autismo, não estava falando em cura.

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Escritor rejeita rótulo de autor de autoajuda

Apesar de seus livros serem frequentemente associados ao gênero de desenvolvimento pessoal, Cury rejeita os rótulos de autor de autoajuda e coach.

A Folha observou que ele dá palestras, comercializa cursos sobre gestão emocional e construiu uma atuação empresarial paralela à carreira editorial. Um dos cursos citados pelo jornal, voltado à gestão das emoções, era vendido por R$ 500.

'Mente capitalista e coração social'

Politicamente, Cury tenta se apresentar como uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Seu principal slogan é “mente capitalista e coração social”.

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Em entrevista à BBC News Brasil, ele defendeu um Estado “enxuto e eficiente”, mas também falou em direitos humanos, educação, proteção às mulheres e ressocialização de presos. O discurso, portanto, combina uma agenda econômica liberal com propostas sociais.

Cury também rejeita ser classificado simplesmente como alguém “em cima do muro” por não se alinhar aos dois principais polos da disputa.

Mudanças no STF estão entre as principais propostas

Cury defende alterações profundas no funcionamento do Supremo Tribunal Federal.

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Entre suas propostas estão:

  • fim da vitaliciedade dos ministros;
  • mandatos de 8 a 10 anos, conforme a formulação apresentada à BBC;
  • mudanças na escolha dos integrantes da Corte;
  • participação do Ministério Público e da OAB na indicação;
  • maior presença de magistrados de carreira;
  • pelo menos três mulheres entre os nove ministros;
  • fim da transmissão ao vivo dos votos dos ministros.

Ele também afirma que o STF estaria “sufocando os outros poderes”. A proposta de limitar mandatos dos ministros e alterar o processo de indicação é uma das mudanças institucionais mais relevantes de sua plataforma.

Cury quer trocar o presidencialismo pelo semipresidencialismo

Outra proposta de grande impacto é a mudança do sistema de governo. Cury defende a adoção do semipresidencialismo, modelo no qual o presidente manteria atribuições estratégicas, enquanto um primeiro-ministro assumiria a condução cotidiana do Executivo.

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Em declaração registrada pela CNN Brasil, o candidato chegou a afirmar que convidaria Tarcísio de Freitas para ocupar o cargo de primeiro-ministro caso fosse eleito. Também disse ter conversado com Romeu Zema sobre uma possível chapa única, mas a negociação não avançou.

Candidato que fala em pacificação não respondeu sobre o 8 de Janeiro

Um dos momentos mais delicados e controversos da campanha ocorreu durante uma sabatina do SBT News, em 18 de agosto. Questionado sobre o 8 de Janeiro, Cury não respondeu diretamente se considera que os ataques às sedes dos Três Poderes configuraram uma tentativa de golpe de Estado.

Segundo o SBT News, ele também não se comprometeu a conceder anistia aos condenados pelos atos. O episódio chama atenção porque a pacificação é justamente um dos pilares do discurso do candidato.

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Cury afirma querer reduzir conflitos e superar a polarização política. Ao mesmo tempo, quando confrontado com uma das questões mais divisivas da política brasileira recente, preferiu não oferecer uma resposta direta sobre a caracterização dos acontecimentos...

O candidato terá mais um teste de exposição nacional. Cury será o último entrevistado da série de sabatinas da Globo com os presidenciáveis, no sábado (29), após o Jornal Nacional, em entrevista conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli

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