Virgínia Fonseca se pronunciou após a revelação de que a Talismã Digital, empresa da qual é proprietária, recebeu R$ 17,7 milhões da AMP Pay Marketing e Negócios, companhia associada ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas.
Em nota enviada ao Notícias da TV nesta sexta-feira (6), o advogado da influenciadora, Sanderson Mafra, negou qualquer relação entre ela e o investigado. "O senhor Willer Tomaz não figura como parte em qualquer contrato celebrado por Virgínia Fonseca, que esclarece, ainda, não conhecê-lo e jamais ter mantido com ele qualquer contato ou tratativa", declarou o representante da empresária.
A manifestação veio depois que a Folha de S.Paulo, por meio do canal de finanças C-Level, revelou que a AMP Pay realizou cinco transferências via Pix à Talismã Digital, entre março e setembro de 2024. Naquele período, Virgínia era garota-propaganda da Blaze, casa de apostas que também aparece nas investigações envolvendo Tomaz.
Procurada pela Folha, a assessoria de Virgínia confirmou que os valores recebidos pela Talismã Digital correspondiam a campanhas publicitárias contratadas. No entanto, não especificou quais ações de divulgação foram realizadas nem apresentou detalhes dos contratos.
Ao Notícias da TV, Sanderson também direcionou os questionamentos sobre a composição societária da AMP Pay e a atuação de terceiros aos respectivos envolvidos. A defesa da influenciadora, portanto, sustenta que não houve contato ou negociação direta com Willer Tomaz.
Segundo a apuração da Folha, as transferências foram consideradas atípicas pelo Banco Santander, que comunicou as operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O principal motivo de alerta foi o perfil financeiro da AMP Pay: a empresa estava registrada no Simples Nacional, regime tributário destinado a negócios com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões.
Além disso, a companhia tinha capital social declarado de R$ 50 mil e endereço cadastrado em um pequeno espaço comercial em Itajaí, Santa Catarina. Guilherme Maciel aparece como proprietário da empresa nos registros oficiais.
A reportagem da Folha acrescentou um elemento importante à história: a Polícia Federal encontrou um e-mail enviado por Willer Tomaz ao Magnum Bank, em 2024, no qual o advogado se apresentava como sócio ou acionista da AMP Pay. A informação passou a integrar a investigação sobre a possível utilização de empresas para movimentar recursos de origem suspeita.
Procurado pelo jornal, Guilherme Maciel negou conhecer Tomaz ou manter qualquer relação com ele. O empresário afirmou que a AMP Pay atuou regularmente entre 2024 e 2025 como intermediadora de pagamentos, mas não detalhou quais serviços justificaram os repasses à Talismã Digital.
A investigação da Polícia Federal também apura possíveis conexões entre Willer Tomaz e a Blaze. Segundo a Folha, o advogado utilizou uma conta na fintech A55 para enviar recursos à plataforma, em movimentações consideradas atípicas pela instituição financeira.
Outro ponto levantado pelos investigadores envolve a Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze, que teria utilizado um endereço anteriormente registrado por companhias relacionadas a Tomaz e antigos sócios. A coincidência, porém, não comprova participação societária ou controle oculto do advogado sobre a casa de apostas.
Dados de uma nota técnica do Ministério da Fazenda apontaram que Tomaz movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas em 2025, sendo considerado o maior apostador individual identificado no país naquele ano. O valor inclui recursos que circularam repetidamente nas plataformas, como ganhos reapostados, e não representa necessariamente dinheiro próprio efetivamente desembolsado pelo advogado.
Amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Willer Tomaz também aparece em uma investigação que apura possíveis conexões entre os dois. Procurado pela Folha para comentar os repasses à empresa de Virginia, o advogado não respondeu aos questionamentos.
As informações sobre os R$ 17,7 milhões foram publicadas inicialmente pela revista piauí, em reportagem que examinou relatórios de inteligência financeira do Coaf, e posteriormente confirmadas pela Folha de S.Paulo, que acrescentou a informação sobre a ligação documental entre Tomaz e a AMP Pay. Até o momento, os elementos divulgados não comprovam que Virginia tenha participado de qualquer irregularidade relacionada às movimentações investigadas.