Em mais de 40 anos de história, o SBT sempre manteve uma política clara quando o assunto é bastidor: não comentar, não desmentir, não alimentar boato. Jornalista escreveu? O tempo se encarrega. Só que, em 2021, essa regra caiu por terra! E o motivo tem nome e sobrenome: Ana Paula Renault.
Naquele momento, a jornalista e apresentadora que está confinada no "BBB 26" deixava o "Fofocalizando" em meio a uma enxurrada de boatos que circulavam nas redes sociais e em sites de celebridades. As versões falavam em conflitos internos, agressões e comportamentos inadequados... Nada disso era verdadeiro. E, pela primeira vez em décadas, o SBT decidiu se manifestar oficialmente para desmentir item por item as acusações. Eita!
O episódio voltou ao centro da conversa em 2022, quando Ana participou da Rádio Chupim, da Metropolitana FM, programa comandado por Marcelo Barbus, Barthô Xavier e Tutu Pires. Foi ali que ela resolveu contextualizar a origem do ataque e a escalada que a situação tomou.
“O Sikêra Júnior me processou, né? Fui ao programa do Raul Gil e não tirei o chapéu pra ele. Ele ficou magoadíssimo. Magoadíssima. Nas redes sociais dele, que ele tinha quatro, cinco vezes mais seguidores, ele postou uma fake news de que eu fui mandada do SBT porque bati na Flor, mordi minha maquiadora, por aí vai”, relembrou.
As informações falsas se espalharam rapidamente. Então, o SBT decidiu agir. “O pessoal da comunicação falou que, em 40 anos, o SBT nunca desmentiu um jornalista. Mas, no seu caso, a gente desmentiu item por item”, revelou Renault. Ana fez questão de reforçar que as pessoas citadas nos boatos faziam parte de seu círculo pessoal. “Ela não bateu na Flor, ela não brigou com a maquiadora. Inclusive, a maquiadora é minha amiga pessoal”, contou.
O desmentido público da emissora colocou um ponto final na versão que circulava, mas não encerrou o episódio.
Ainda na rádio, Ana relatou que Sikêra Jr. decidiu levar o embate para a esfera judicial após ela afirmar publicamente que não o admirava: “Ele se utilizou das redes sociais para tentar me silenciar mais uma vez. E, não satisfeito, veio com violência jurídica pra cima de mim, pra tentar me intimidar".
O centro da ação, segundo Ana, foi o fato de ela ter classificado o apresentador como homofóbico, algo que sustenta com base em declarações públicas dele ao longo da carreira. “Ele me processou porque eu falei que não tiraria o chapéu pra ele porque ele realmente é homofóbico. Ele tem falas extremamente problemáticas contra a comunidade, é um cara que tá na TV aberta, é um veículo público”, disparou.
O processo movido contra Ana acabou não prosperando. “Tá liberado chamar homofóbico de homofóbico porque o Sikêra Júnior perdeu”, ironizou ela no programa.
José Siqueira Barros Júnior, o Sikêra Jr., construiu carreira como apresentador policial, com passagens por emissoras regionais e projeção nacional à frente do "Alerta Nacional", na RedeTV!. Conhecido pelo discurso inflamado e por declarações frequentemente alvo de controvérsia, tornou-se figura popular nas redes sociais, acumulando milhões de seguidores ao longo dos anos.
Em seu histórico público, carrega declarações consideradas racistas, homofóbicas, machistas e misóginas, além de falas negacionistas durante a pandemia da Covid-19. À época, chegou a defender tratamentos sem eficácia comprovada contra a doença, como a cloroquina, posição alinhada ao discurso do então presidente Jair Bolsonaro.
Segundo documento apresentado à CPI da Covid pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), em junho de 2021, foi informado que o governo federal repassou R$ 120 mil em cachês ao apresentador, sob a justificativa de participação em sete campanhas publicitárias oficiais. Entre elas, a do “Cuidado Precoce para a Covid-19”, que indicava tratamento logo após os primeiros sintomas. Por essa campanha específica, Sikêra teria recebido R$ 24 mil.
Anos mais tarde, o contexto jurídico envolvendo o apresentador ganhou novos capítulos. Em janeiro de 2026, a Justiça Federal condenou Sikêra Jr. por discurso homotransfóbico, com base em falas exibidas em programa de TV aberta em 2021. A pena fixada foi de três anos e seis meses de reclusão, substituída por prestação de serviços comunitários e pagamento a instituições LGBTQIA+.