O clima esquentou de vez no "Big Brother Brasil 26" e voltou a levantar uma velha pergunta entre o público que acompanha o reality: afinal, as explosões vistas na casa são exageros calculados ou respostas humanas diante de um limite extremo? Sol Vega, integrante do time dos Veteranos, protagonizou um dos momentos mais comentados da edição ao se desestabilizar emocionalmente no Sincerão, depois de ouvir falas de Ana Paula Renault e Juliano Floss.
Para entender o que acontece quando o emocional entra em curto-circuito diante das câmeras, o Purepeople ouviu com exclusividade Elainne Ourives, que se apresenta como psicanalista, neurocientista e pesquisadora, e trouxe uma leitura profunda sobre o impacto psicológico do confinamento.
Segundo Elainne, as reações intensas vistas no programa estão longe de ser simples exageros. “Essas explosões são respostas absolutamente naturais de um cérebro sobrecarregado e operando em modo de sobrevivência. Não são reações exageradas, mas sim a manifestação de um sistema nervoso que atingiu seu limite”, explicou.
A especialista associa o comportamento àquilo que a psicanálise chama de "retorno do reprimido". Em outras palavras, emoções e dores que normalmente ficam guardadas acabam vindo à tona quando o indivíduo perde os mecanismos de controle emocional que utiliza no dia a dia.
De acordo com a análise, todos carregam um verdadeiro “campo de dor” emocional, construído a partir de traumas da infância, feridas não resolvidas e até heranças emocionais de gerações passadas. Na vida fora da casa, grande parte da energia psíquica é usada justamente para manter esse material reprimido no inconsciente.
Sol Vega entrou no "BBB 4", em 2004, aos 25 anos, trabalhando como frentista e enxergando no reality uma chance real de mudar de vida, mas acabou enfrentando barreiras duras dentro da casa. A sister viveu conflitos que deixaram marcas profundas, sobretudo com Marcela Queiroz, que chegou a chamar seu cabelo de “pixaim” e fez comentários abertamente racistas diante das câmeras.
Outra dúvida recorrente entre os telespectadores é se o confinamento cria comportamentos extremos ou apenas intensifica traços já existentes. Para a especialista, a resposta é direta. “O confinamento não cria nada, ele revela e intensifica. A casa funciona como um catalisador que acelera a manifestação do que já existe no nível do inconsciente”, afirmou em entrevista.
E não é só nesta edição: não tem como não lembrar de Mari Gonzalez gritando “para de gritar” entre os brothers na xepa do "BBB20". Na visão da especialista, o BBB não fabrica personagens extremos, mas expõe a versão mais crua do indivíduo. “A casa não fabrica uma versão extrema, ela expõe a versão mais crua e verdadeira do indivíduo, aquela que normalmente só se manifesta em momentos de crise pessoal. É um processo de desnudamento da alma”, define Elainne Ourives.