O remake de ‘Vale Tudo’ chega ao fim nesta sexta-feira (18) com um saldo positivo. O folhetim da Globo conquistou o almejado pico de 30 pontos no capítulo da morte de Odete Roitman, no último dia 6 de outubro, e encerra sua trajetória com frescor, especialmente após o insosso remake de ‘Renascer’ e a esquecível ‘Mania de Você’.
Com alto número de ações de merchandising e boas atuações, a novela conseguiu equilibrar leveza, crítica social e entretenimento. Abaixo, o Purepeople listou os principais pontos positivos da versão escrita por Manuela Dias.
Taís Araujo brilhou como Raquel Accioly. Determinada, forte e decidida, a atriz evitou transformar a heroína ética e batalhadora em uma caricatura. Sua presença deu credibilidade à história e sustentou o eixo moral da trama. Para muitos, a artista foi melhor que Regina Duarte.
Uma das maiores surpresas foi Débora Bloch como a vilã Odete Roitman, papel que chegou a ser cogitado para Fernanda Torres, que havia negado para se dedicar ao Oscar com o filme ‘Ainda Estou Aqui’.
Bloch entregou uma vilã debochada, divertida e sedutora. Sua Odete era tão irresistível que, quem não foi para a cama da pegadora é porque não teve competência.
Na primeira versão, Celina (Nathalia Timberg) era apenas a tia submissa aos mandos de Odete. Desta vez, Malu Galli transformou a personagem em uma mulher interessante e multifacetada.
Mesmo frágil diante da irmã, contribuindo para a derrocada de Raquel, Celina viveu duas relações intensas: uma com o elegante Estéban (Caco Ciocler) e outra com o fogoso Olavo (Ricardo Teodoro). Quem não se divertiu com o famoso “x-tudão”?
A autora Manuela Dias conseguiu tratar temas íntimos com naturalidade e sensibilidade. Entre eles, a revelação de Leila (Carolina Dieckmmann) sobre nunca ter sentido orgasmo antes de Marco Aurélio (Alexandre Nero).
As dificuldades emocionais de Renato (João Vicente de Castro), que não conseguia manter uma relação estável com ninguém, assim como as sessões de terapia de Heleninha (Paolla Oliveira) com a doutora Ana (Arieta Corrêa), recheadas de vulnerabilidade e verdade, emocionaram o público.
Cauã Reymond e Ricardo Teodoro formaram a dupla mais divertida da novela. Diferente da versão de 1988, em que César e Olavo (Carlos Alberto Riccelli e Paulo Reis) eram meros cúmplices, aqui a amizade ganhou contornos de humor, cumplicidade e afeto. As armações dos dois renderam respiros cômicos sem perder a essência da trama.
Duas personagens coadjuvantes roubaram a cena: Consuêlo (Belize Pombal) e Aldeíde (Karine Teles). Consuêlo, inicialmente vista como caricata, mostrou-se uma mulher espirituosa e eficiente, tanto que conquistou o respeito até da temida Odete.
Já a ‘monocromática’ Aldeíde se destacou pela força e autenticidade: a cena em que enfrenta Marco Aurélio e pede demissão foi aplaudida nas redes sociais.
Como Marco Aurélio, Alexandre Nero uniu cinismo, humor e humanidade. Seu vilão ranzinza e sarcástico revelou um lado sensível ao demonstrar carinho pelo filho e pela sobrinha adotiva. O ator conseguiu equilibrar as múltiplas camadas do personagem sem torná-lo incoerente.
Com uma condução segura e atuações inspiradas, ‘Vale Tudo’ (2025) provou que é possível revisitar um clássico sem trair sua essência, e, ainda assim, dialogar com os dilemas do Brasil atual.