Ramon Dino escreveu seu nome no topo do fisiculturismo mundial ao conquistar o título de campeão do Mr. Olympia 2025, no último final de semana, na categoria Classic Physique. O bodybuilder, cujo antes e depois é de cair o queixo, se tornou o primeiro primeiro brasileiro a vencer na categoria masculina da competição, considerada a 'Copa do Mundo' do fisiculturismo.
Mas o que chamou atenção dos fãs, além do físico impecável no palco de Las Vegas, foi a dieta nada convencional que antecedeu a vitória de Ramon Dino na competição. Embora tenha passado por uma parte de bulking pesado com uma dieta de 4000 calorias por dia, pouco antes da final o atleta foi liberado para comer cookies e hambúrgueres.
Embora estes alimentos fossem proibidos em qualquer outra etapa de sua preparação, a liberação teve um segredo importante para quem trabalha com o corpo e tônus muscular: tudo fazia parte de uma estratégia calculada para destacar o volume dos seus músculos e garantir que cada fibra do corpo do atleta aparecesse no palco.
O caminho até o título do Mr. Olympia começou semanas antes, em uma rotina que Ramon apelidou de "modo caverna". Longe da família, o atleta se isolou nos Estados Unidos para viver um período de dedicação total ao campeonato. A agenda incluía duas sessões de treino por dia, poucas horas de lazer e uma dieta controlada ao extremo.
A preparação foi liderada por uma equipe de peso: o treinador Fabrício Pacholok, o especialista em poses André Pierin, que é conhecido no meio como Pajé, e o lendário coach norte-americano Chris Aceto, que visitava o fisiculturista todos os dias em seu apartamento, onde faziam avaliações físicas, incluindo o nível de definição e de retenção de líquidos do acreano.
Na última semana, Ramon Dino consumia de 4 a 5 refeições. Da segunda até a quinta-feira (dia da pesagem oficial), o consumo de carboidratos foi limitado ao extremo e apenas o café da manhã e uma refeição no pré-treino continham pequenas porções do nutriente, justamente para 'secar' o corpo.
Pela manhã, Dino costumava comer pão, cinco ovos inteiros e algumas frutas. Já antes do treino, ele comia uma combinação de 200g de arroz e a mesma medida de carne vermelha ou salmão. Nas demais refeições do dia, o menu se resumia a proteínas puras, entre 200 e 300 gramas de carne ou peixe, sem qualquer adição de carboidratos.
O objetivo era secar o corpo ao máximo, eliminando retenções de líquidos e deixando os músculos prontos para o famoso 'carb-up', que aconteceu nas 48 horas decisivas antes do título histórico do fisiculturista brasileiro.
A reta final de sua preparação para o Mr. Olympia fez Ramon Dino chegar ao limite do condicionamento físico e mental. Após semanas de restrição severa de carboidratos, Ramon se pesou na quinta-feira, dia 09 de outubro, e conseguiu estar dentro da faixa que caracteriza a Classic Physique: 1,81m de altura e 101 kg de puro músculo cravados.
Com a pesagem concluída, começou o momento mais aguardado e delicado da preparação: o carb-up. Essa etapa consiste em reintroduzir carboidratos na dieta para repor o glicogênio muscular e fazer os músculos "inflarem", deixando o corpo com mais volume, densidade e definição, fatores imprescindíveis no fisiculturismo.
Nos primeiros momentos, a alimentação incluía fontes "limpas", como arroz, batata e macarrão. Mas conforme o corpo respondia bem, Chris Aceto liberou os famosos carboidratos sujos e, desta forma, Ramon Dino comeu hambúrgueres e cookies, cuidadosamente dosados, pouco antes de sua competição.
Embora possa haver dúvidas sobre o método, alimentos ricos em gordura e açúcar, como hambúrgueres e cookies, ajudam a acelerar o enchimento muscular e a deixar a pele mais esticada sobre os músculos, realçando os detalhes no palco. Tudo é calculado pelo treinador com base na resposta do corpo, garantindo que o resultado final seja o melhor possível diante dos jurados.
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