35 anos da morte de Preta Gil, Gilberto Gil sofreu com a morte de um outro filho: Pedro Gadelha Gil Moreira. Com apenas 19 anos, o rapaz foi vítima fatal de um acidente de carro e faleceu no dia 2 de fevereiro de 1990, um dia que marcou a vida de toda a família por também ser dia de Iemanjá.
Conhecido no círculo familiar como “um menino”, como o próprio Gil costumava chamá-lo, Pedro teve seu corpo encaminhado diretamente da UTI para a capela do hospital, onde já o aguardavam a mãe, Sandra Gadelha Moreira, a tia Léa Gadelha Milon, as irmãs Marília, Nara, Preta e Maria, a cantora Gal Costa e mais familiares.
Quase todos os presentes estavam vestidos de branco, cor tradicionalmente usada às sextas-feiras pelos seguidores do candomblé, em reverência a Oxalá, e também em homenagem à Iemanjá. Muito abalado, Gilberto Gil permaneceu recolhido em um dos quartos da Beneficência Portuguesa até a remoção do corpo do filho para a Capela Real Grandeza, em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Desde as primeiras horas da manhã, a movimentação no hospital indicava a comoção com a perda. Funcionários, enfermeiras e acompanhantes de pacientes tentavam acessar a capela, mas a entrada era restrita a familiares e amigos próximos, controlada por seguranças.
Às 8h, a urna funerária foi trazida pela kombi da Santa Casa. Pedro foi vestido de branco, e o rosto, que ainda apresentava marcas do acidente ocorrido no dia 25 de janeiro, foi coberto com um pano branco fino e translúcido. O caixão, ornamentado com flores brancas, foi colocado no veículo funerário por volta das 8h30, de onde seguiu com a família para o Cemitério de São João Batista.
Gilberto Gil chegou ao velório acompanhado da esposa, Flora, e dos amigos Antônio Grassi e Lilibeth Monteiro de Carvalho. Em meio à dor, o artista fez uma breve declaração emocionada aos jornalistas:
"Em primeiro lugar, quero agradecer à imprensa por este sentimento de apoio, de solidariedade. É difícil falar sobre a morte e principalmente falar da morte de um filho amado. Posso dizer que nesta hora de muita tristeza, faço uma reflexão do que foi o convívio de 19 anos com uma criatura tão querida. Um ser que viveu inteiramente em paz com a família, com os amigos e o mundo. Apesar de ter vivido pouco, meu filho alcançou muita coisa porque soube viver com dignidade. Estou chocado e ao mesmo tempo tranquilo pela beleza que foi a sua vida. A tristeza, embora dura, também nos traz muita paz. Ele viveu pouco, mas com honradez. Isso tudo fará com que possamos lembrá-lo sempre com muita paz, pelo que construiu, pela sua postura na vida. Foi-se o meu filho, mas para mim será sempre o Pedro, o meu Pedro. Hoje é o dia de Iemanjá. Ele se foi, com Iemanjá."