Hoje aquelas pessoas que nasceram entre os anos de 1960 e 1970 já passaram dos 55 anos. Com frequência, essa parte da população já encara grandes mudanças na vida pessoal e que incluem a aposentadoria, problemas de saúde e alterações na parte física.
Ao mesmo tempo, os especialistas dão uma notícia para esse grupo: nesse tempo, quem já passou dos 55 anos também tem chance de atingir a plena felicidade. E para se envelhecer de forma digna é preciso seguir alguns pontos, como preservar elevada a qualidade de vida, manter a autonomia e estar à frente de decisões que envolvem o bem-estar tanto físico como psicológico.
O passar do tempo pode provocar tristeza em algumas pessoas com mais de 55 anos, porém o próprio tempo pode representar as várias vitórias, conquistas e memórias de uma vida.
Ultrapassar os 50 anos pode causar medo, uma vez que é o chamado "ponto intermediário", mas também provoca gratidão. A psicologia entende que a curva da felicidade faz as pessoas dessa idade alcançarem o máximo em termos de alegria.
Uma série de estudos no exterior, um deles do economista David Blanchflower, do Darmouth College, indica que essa sensação de bem-estar corresponde a um padrão como se fosse a letra U. Ou seja, começa a haver uma diminuição a partir da juventude e que se alastra até os 40 ou 50 anos, porém na sequência há um crescimento até se chegar ao ápice nos 60 e 70 anos.
Ainda segundo os especialistas, esse grau de felicidade está ligado à maturidade emocional que a idade proporciona e também pelo fato das pessoas estarem mais aptas a viverem o hoje. E não é só isso.
Com o passar do tempo, se aprende a lidar de uma melhor forma com o estresse e também a controlar as emoções, além de aceitar as mudanças que são inevitáveis.
Em relação ao estresse, um estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia mostrou que essa sensação apresenta tendência de queda com a idade. Para se chegar à conclusão, mais de 3 mil adultos foram acompanhados por duas décadas. Há ainda a mudança na maneira desse grupo +50 anos em lidar com o estresse.
Se na faixa dos 25 anos, os participantes da pesquisa tinham quadro de estresse em praticamente metade das vezes, quando chegaram aos 70 em apenas 30% dos dias se observava um quadro estressante.
"Os adultos mais jovens apresentam maior angústia em dias com fatores estressantes na comparação com pessoas mais velhas. No entanto, por volta dos 55 anos, com a vantagem da idade, uma vez que a resposta ao estresse melhora com a idade, a angústia começa a diminuir e se estabiliza", explicou David Almeid, autor do levantamento, para a "Scientific American".
De forma praticamente igual, no livro "The Happiness Curve: Why Life Gets Better After 50" (em tradução livre, "A Curva da Felicidade: Por que a vida melhora após os 50"), Jonathan Rauch fez uma análise em termos neuro-científicos e sua relação com as etapas da vida.
O especialista concluiu que o avanço da idade faz surgir tanto uma atitude mais positiva e uma visão mais otimista, como se fossem um escudo emocional frente ao desgaste físico. Ou seja, o corpo pode até estar enfraquecido, contudo a mente não entrega os pontos frente ao desespero.
Ao mesmo tempo, com a idade as pessoas passam a assumir de forma frequente outras funções que podem levar a uma motivação maior. E podem compartilhar o conhecimento acumulado seja em atividades, seja exercendo o cargo de professores ou monitores.
"Existe uma enorme quantidade de sabedoria inexplorada e com potencial para ser descoberta. Devida à curva da felicidade, costumam se encontrar em uma posição na qual desejam contribuir. Elas querem ser monitores, voluntários ou trabalharem em funções simples que permitam desenvolver suas habilidades", explicou Rauch, em conversa com o "The Guardian".
Por esse motivo, a idade é reflexo de tanto aprendizado e recordações. Portanto, alcançar a máxima felicidade acontece de forma natural com o tempo.