A Globo passou uma série de orientações às suas equipes que estarão à frente da transmissão do Carnaval 2026, que terá homenagem ao presidente Lula e alfinetadas políticas aos seus adversários. O líder do Executivo será enredo da Acadêmicos de Niterói, escola mais nova entre as 12 da elite do samba (foi fundada em 2018), estreante no Grupo Especial, e que em 2022 viu a Acadêmicos do Sossego lhe ceder os direitos de desfilar na Série Ouro.
Nos últimos dias, o TSE rejeitou barrar o desfile da azul e branca sob acusação de campanha política antecipada. Já a Globo quer evitar justamente manifestações em prol de Lula, candidato a uma terceira reeleição, em outubro.
O temor é que algum comportamento gere problemas judiciais ao canal, detentor dos direitos de transmissão dos desfiles na Sapucaí desde 1985, ano seguinte à inauguração do Sambódromo.
A Globo já confirmou que irá exibir os desfiles do Grupo Especial, porém até as 7h15 desta sexta-feira (13) a grade de programação não havia sido divulgada oficialmente. Houve anos em que a primeira escola a se apresentar não tinha seu desfile exibido, nem mesmo para o Rio.
De acordo com o colunista Gabriel Vaquer, da "Folha de S.Paulo", se alguma campanha política por sentida, o time de transmissão deverá cortar para uma visão mais geral da Niterói focando nas alas.
Entrevistar anônimos é outra recomendação a ser evitada para impedir falas de cunho político. Assim, o foco estará nos carros da azul e branca, mesmas cores da Beija-Flor, cuja vitória em 2025 foi amplamente contestada.
Ao time de apresentadores e comentaristas, entre eles Milton Cunha, estrela de uma peça publicitária do governo federal, foi pedido um estudo da vida de Lula, porém que na transmissão se adote um tom que não soe como "empolgação" ao falar da trajetória de um dos fundadores do PT.
As recomendações atingem até o time de redes sociais do grupo para que haja um tom mais sóbrio nos posts. Em relação ao desfile em si da agremiação, não se sabe se haverá menção ao câncer de laringe do presidente (descoberto em 2011) ou aos quase 600 dias (menos de um ano) em que ficou preso na Polícia Federal após condenação a mais de nove anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.