Médica de Preta Gil, Roberta Saretta foi quem estava com a cantora em suas últimas horas de vida em Nova York, onde ela estava fazendo um tratamento experimental contra o câncer.
Três semanas após a morte da artista, a profissional da saúde revelou uma conversa forte e comovente que teve com ela em seus últimos momentos viva, além do maior desejo de Preta naquele momento.
"Quando a ambulância chegou para levá-la ao aeroporto e os paramédicos mediram as taxas, ela estava estável, com índices normais: pressão, eletro, tudo. Ela queria, com todas as forças, chegar ao Brasil", disse Roberta, em entrevista ao O Globo.
A filha de Gilberto Gil iria voltar ao país em uma UTI aérea, mas acabou passando mal antes de embarcar e não resistiu. Carolina Dieckmmann, que estava acompanhando o tratamento da cantora nos Estados Unidos, precisou voltar sozinha.
"Durante o trajeto de 1h20 até o avião, fiquei de frente para ela, repetindo que a levaria para casa. Ela esteve acordada o tempo todo. Ao chegar ao aeroporto, passou mal, vomitou. 'Estamos quase lá', eu falei. 'Preta, você dá conta de viajar?' E ouvi a resposta: 'Não dou conta'. Pedi para o paramédico nos levar ao hospital mais próximo. Chegamos em oito minutos. Quiseram reanimá-la. Poucos minutos depois, ela se foi", relatou a médica.
Roberta era médica de Preta desde a descoberta do câncer, em janeiro de 2023. Depois de esgotar todas as opções de tratamento no Brasil, a artista decidiu fazer um tratamento experimental nos Estados Unidos porque, segundo a doutora, ela queria sobreviver ao câncer em vez de prolongar a vida em mais alguns meses.
"Ela queria viver mais 15 anos. Só entende isso quem lida com a morte. O cuidado paliativo não é só estar com a família. É compreender o indivíduo. A possibilidade do tratamento experimental a iluminou. A Preta tinha 50 anos, e com uma vivacidade que poucas vezes você encontra em uma pessoa de qualquer idade", afirmou.
Preta Gil morreu no dia 20 de julho; seu corpo foi trazido ao Brasil alguns dias depois para ser velado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde um telão de LED exibia momentos felizes da vida da cantora, com amigos e familiares. A cremação aconteceu depois que o corpo da cantora fez um cortejo pelas ruas da cidade, em um caminhão de bombeiros, com milhares de fãs acompanhando.