Adriana (Leticia Colin) saiu da prisão com uma promessa: ninguém que contribuiu para colocá-la atrás das grades ficaria impune. Depois de seis anos encarcerada por um crime que não cometeu, a fisioterapeuta conseguiu liberdade condicional e deixou claro que não pretendia simplesmente virar a página!
Ao longo dos anos na cadeia, ela reuniu notícias e informações sobre Pilar (Isabel Teixeira), Ademir (Dan Stulbach) e Ulisses (Alexandre Borges), estudando os passos dos três para preparar a própria vingança... Na teoria, portanto, Adriana deveria estar vários movimentos à frente. Na prática, porém, a mocinha de "Quem Ama Cuida" tem cometido alguns erros que fariam Nina/Rita (Débora Falabella), de "Avenida Brasil", provavelmente colocar as mãos na cabeça!
E não é porque Adriana seja burra, viu? Muito pelo contrário, minha gente! Ela já demonstrou inteligência ao recrutar aliados, investigar os inimigos, usar a fortuna deixada por Arthur (Antonio Fagundes) e até montar uma operação para comprar a participação de Ulisses na joalheria sem aparecer oficialmente como compradora. O problema é que ela parece não conseguir permanecer estrategista por muito tempo.
Basta Pedro (Chay Suede) entrar no assunto, Bruna (Nanda Marques) aparecer ou alguém tocar na ferida de sua condenação para a Adriana calculista desaparecer e entrar em cena uma mulher movida pela raiva. Segura essa emoção, diva!
É aí que Nina, que passou boa parte de sua vingança contra Carminha (Adriana Esteves) escondendo intenções e escolhendo cuidadosamente os momentos de ataque, poderia dar algumas aulas...
Esse talvez seja o maior problema da vingança de Adriana até agora! A novela já estabeleceu que ela não ficou parada durante os anos na prisão. Adriana juntou matérias, acompanhou os envolvidos no caso e afirma ter estudado cada passo de Pilar, Ademir e Ulisses. Ela inclusive mostra esse material a Mau Mau (João Victor Gonçalves), que, apesar de considerar a vingança uma loucura, aceita ajudá-la.
Só que uma coisa é dizer que estudou os inimigos. Outra é mostrar ao telespectador qual é o plano completo.
Nina tinha uma lógica muito mais visível em "Avenida Brasil": ela precisava entrar na vida de Carminha, conquistar espaço, observar, descobrir segredos e acumular elementos que pudessem ser usados contra a vilã. Cada informação tinha potencial para virar uma peça do jogo e isso era constantemente explicado ao público. Adriana poderia fazer algo parecido.
Não necessariamente um mural novelesco cheio de fotos e fios vermelhos - embora, convenhamos, seria ótimo -, mas uma organização clara: quem são os alvos, o que cada um fez, quais provas existem, quais provas ainda faltam, qual é a vulnerabilidade de cada pessoa e em que momento cada ataque deve acontecer. Porque hoje a sensação é de que Adriana tem uma lista de inimigos, mas não necessariamente uma sequência de operações.
Se Pilar é realmente o alvo mais difícil e talvez o acerto de contas mais importante, por exemplo, o público deveria sentir que tudo o que Adriana faz está, de alguma maneira, aproximando-a desse confronto. Em vez disso, a vingança vai mudando de direção conforme os acontecimentos aparecem. A real é que está todo mundo confuso!
O primeiro grande movimento de Adriana depois da prisão foi também um dos mais reveladores de sua personalidade.
Ela foi até uma palestra de Ademir, que falava justamente sobre ética na advocacia, pediu a palavra e o confrontou diante de todos. A acusação era gravíssima: Adriana questionou se um advogado poderia comprar testemunhas para vencer uma causa e deixou claro que acreditava que Ademir tinha feito isso para colocá-la na cadeia. Gente!?
Como catarse, foi ótimo. Como estratégia, nem tanto... Ademir descobriu imediatamente que Adriana estava atrás dele e isso significa que o homem passou a ter tempo para se preparar!
Nina dificilmente faria uma apresentação tão explícita do próprio plano. Ela entendia que a vantagem de uma vingança está justamente em o alvo não saber de onde virá o próximo golpe. Adriana, ao contrário, tem uma tendência a transformar o acerto de contas em confronto. É satisfatório? Muito. É inteligente? Nem sempre... quase nunca! Nina talvez perguntaria: "por que diabos você vai avisar ao inimigo que pretende destruí-lo?".
Adriana está em liberdade condicional. Ela acabou de sair da prisão e ainda tenta reconstruir a própria vida. Mesmo assim, sua vingança frequentemente assume uma dimensão tão emocional que parece esquecer a posição vulnerável em que se encontra. O exemplo mais recente envolve Bruna, a ex-atual-ex de Pedro.
Depois de toda a história com o mocinho, Adriana foi atrás da rival e a confrontou. A tensão entre as duas já vinha crescendo desde que Bruna descobriu a reaproximação de Pedro com Adriana. A própria Bruna já havia procurado Adriana anteriormente para exigir que ela se afastasse do advogado. Agora, porém, a situação chega a outro nível.
A personagem de Colin acusa Bruna de ter tentado destruir sua relação com Pedro e, no capítulo desta quinta-feira (27), volta a colocar a rival contra a parede. Rolou até um confronto físico, minha gente! Adriana, você acabou de sair da cadeia. Você realmente acha uma boa ideia arrumar uma briga física com a mulher que está disputando Pedro com você?
Nina provavelmente teria outra prioridade. Primeiro, garantir que Bruna não pudesse ameaçar seu plano. Depois, descobrir exatamente o que ela sabe. E só então decidir o que fazer. Adriana faz o contrário: ela deixa a raiva falar primeiro e para alguém em liberdade condicional, isso não é apenas impulsividade, é um baita risco desnecessário.
O plano começou como uma busca por justiça: descobrir quem armou sua condenação e provar que ela não matou Arthur. Só que Pedro voltou para a vida dela e, junto com ele, voltou também todo o ressentimento envolvendo essa história! Adriana está cada vez mais consumida pela vida amorosa. Enfrenta Bruna, fica preocupada com o que Pedro pensa sobre a vingança, mente para o “mozão” quando vende as joias...
Tudo bem que Nina tinha Jorginho (Cauã Reymond) e também ficava completamente desestabilizada quando o assunto era o grande amor de sua vida. Mas a protagonista de Avenida Brasil tinha muito mais jogo de cintura para conciliar as duas coisas. Ela podia perder a cabeça por Jorginho, mas não perdia de vista Carminha.
E o mais importante de tudo: Nina nunca deixou de entender que Jorginho fazia parte da própria história que ela estava tentando resolver. O passado dos dois estava diretamente ligado a Carminha, ao lixão e a toda a família construída em torno das mentiras da vilã. Por isso, mesmo quando o romance atrapalhava seus planos, ele também era uma peça importante para compreender aquela família e chegar mais perto da verdade.
Adriana, por outro lado, parece estar permitindo que Pedro abra uma segunda frente de batalha que não deveria ter tanto espaço em sua missão. Bruna vira um alvo pessoal, as inseguranças amorosas começam a interferir em suas decisões e a protagonista passa a gastar energia tentando proteger seu relacionamento enquanto ainda nem conseguiu concluir a investigação que pode limpar seu nome!
Nina tinha um amor no meio da vingança; Adriana, em alguns momentos, parece estar transformando o amor em outra vingança. Se o papel de Falabella pudesse dar apenas um conselho nesse momento, talvez fosse: “Você pode até brigar por seu homem. Só não deixe seu homem fazer você esquecer por que começou a brigar".
Esse é o momento em que a vingança de Adriana começa a ficar moralmente mais complicada. Pedro conta a ela, em confiança, que Dora (Mariana Ximenes) e André (Henrique Barreira) estão apaixonados. Dora, inclusive, vai mostrar arrependimento por não ter defendido Adriana no julgamento e pedirá perdão a ela.
Adriana aceitará o pedido. E, pouco depois, decidirá usar o romance dos dois para atingir Ademir. A ideia é fazer com que ele descubra Dora e André juntos. O problema é óbvio! Dora e André não são Ademir. Mesmo que existam relações complicadas entre eles e os demais personagens, os dois passam a ser utilizados como instrumentos de uma vingança que não lhes pertence.
Nesse caso, Nina também não seria exatamente uma professora de moralidade - ela fez coisas bastante questionáveis em sua própria vingança. Mas existe uma diferença fundamental: Nina sabia que cada pessoa envolvida podia alterar o equilíbrio do plano. Adriana parece cada vez mais disposta a aceitar danos colaterais.E isso pode voltar contra ela.
Mau Mau é outro ponto que merece atenção. Adriana não simplesmente "envolveu" o irmão na vingança sem contexto. Ela fez isso conscientemente. Depois de sair da prisão, contou a ele que havia reunido informações durante os anos encarcerada e que tinha estudado os passos de Pilar, Ademir e Ulisses. Mau Mau achou a ideia uma loucura, mas decidiu que a irmã poderia contar com ele.
Depois, Adriana o recruta para ajudá-la a investigar Ademir. Isso mostra que ela sabe construir uma rede. Mas também cria uma pergunta: até onde ela pretende levar a família nessa história?
Mau Mau já tem seus próprios conflitos e sua própria trajetória! Transformá-lo em uma espécie de braço operacional da vingança coloca o irmão dentro de uma guerra que pode ficar cada vez mais perigosa. Uma coisa é pedir ajuda. Outra é fazer com que familiares se tornem extensões de um plano que pode colocar todos na mira de Pilar, Ademir e dos Brandão.
Nina aprendeu a separar, na medida do possível, sua vida cotidiana da missão. Adriana ainda mistura as duas coisas.
Adriana passou seis anos esperando. Seis anos. Ela mesma diz que a vingança foi uma das coisas que a manteve viva na prisão! Então é curioso vê-la agir como se precisasse resolver tudo imediatamente. Ademir. Ulisses. Pilar. Bruna. Pedro. Dora. André. Joalheria. Herança. Laudo. São muitas frentes abertas ao mesmo tempo!
E uma vingança com oito frentes simultâneas tem um problema básico: fica muito mais difícil controlar quem sabe o quê.
Nina demorou, observou, entrou na casa de Carminha, construiu relações, descobriu segredos, guardou informações e esperou momentos específicos para usar cada descoberta. Adriana tem pressa. E a pressa é justamente aquilo que pode fazer uma mulher inteligente cometer erros que uma mulher mais calculista evitaria.
A comparação não significa que Nina tenha sido perfeita. Ela também mentiu, manipulou e tomou decisões que tiveram consequências graves. Sua vingança contra Carminha também fugiu do controle em determinados momentos. Mas Nina entendia uma coisa que Adriana ainda está aprendendo: vingança não é quantidade de inimigos enfrentados. É controle sobre o próprio jogo.