O escritor e pesquisador Francesc Miralles soltou uma reflexão de ouro sobre o chamado contágio emocional que mostra como acabamos, querendo ou não, ficando muito parecido com as pessoas com quem mais convivemos.
Calma, ninguém está dizendo que você precisa virar um ‘tóxico da gratidão’ e passar 24 horas por dia rindo do vento e comemorando até boleto pago. Não dá e nem seria saudável. Mas a ciência garante que passar mais tempo perto de gente de espírito leve e alegre é o melhor atalho para contaminar o seu próprio cérebro com essa mesma energia.
Se você acha que essa papo de fugir de gente 'pesada' é frescura moderna, saiba que Erasmo de Roterdã já mandava o papo reto há mais de cinco séculos em sua clássica obra Elogio da Loucura.
O pensador avisava que levar a vida com uma postura excessivamente séria e analítica não apenas traz infelicidade, mas envelhece a alma antes da hora. Nas palavras do próprio filósofo:
"Estes homens severos, dedicados a assuntos sérios e árduos, envelheceram antes de atingir a plena juventude devido às preocupações e à constante e amarga agitação de ideias, que exaure o espírito e a seiva vital."
Para passar batido dessa 'amargura precoce', o conselho de Erasmo era simples e direto: evite a todo custo pessoas hipercríticas, pessimistas ou aquelas que se acham as donas da verdade.
A teledramaturgia traduz isso com maestria. Na novela das sete da TV Globo, 'Por Você', a espevitada Iara (Noemia Oliveira) é a personificação desse raio de sol. Querida por todos, a grande amiga da protagonista Bela (Sheron Menezzes) passa longe do baixo-astral.
Embora enfrente perrengues financeiros e lide com as neuras de um marido cheio de complexos como Juarez (Milhem Cortaz), Iara segue solar, contagiando todo mundo ao seu redor. É aquele tipo de pessoa que dá vontade de guardar num potinho!
A psicologia defende que, para sobreviver ao caos do dia a dia, às vezes a solução é justamente 'mergulhar numa loucura positiva'. E isso pode vir acompanhado de gestos simples, mas absurdamente transformadores.
O empreendedor e palestrante Dave Kerpen, por exemplo, tem um hábito encantador. Ele faz questão de escrever, todos os dias, três bilhetes de agradecimento feitos à mão para pessoas ao seu redor.
Imagine a surpresa e a explosão de dopamina de um colega de trabalho ao receber um carinho desses logo cedo? O bilhetezinho fica na mesa o dia todo, iluminando o ambiente!
No fim das contas, a vida racional demais perde o tempero. Quando dizemos a alguém 'eu te amo loucamente', estamos avisando que nosso afeto ultrapassou a barreira do que é puramente lógico ou calculista. Não amamos alguém por uma lista de dotes ou currículo, mas pela autenticidade única que ela carrega.