A comunicação é uma “arma” poderosíssima que pode te render aliados ou criar inimigos perigosos! E, quando se trata do "Big Brother Brasil", esse poder se intensifica ainda mais, já que estamos falando de um jogo de convivência extrema. Quem sabe se expressar dentro do confinamento costuma sair por cima; já quem escorrega nas palavras pode pagar um preço altíssimo... Vish!
O Purepeople Brasil conversou com Jackeline Georgia, especialista em oratória e comunicação estratégica, para identificar quem se destaca pela boa retórica na casa e quem corre riscos justamente por falhas na forma de se comunicar. Um dado curioso chama atenção: no atual Paredão, formado por Babu Santana, Sarah Andrade e Sol Vega, todos veteranos, apenas um deles é visto como realmente firme nas palavras e na postura. Vamos entender melhor?
“Boa retórica no BBB não é apenas falar bonito ou usar frases bem construídas. O que realmente pesa é a capacidade de organizar o pensamento sob pressão, escolher o que dizer e o que silenciar, manter coerência emocional e, principalmente, entender quem está ouvindo. Clareza, controle emocional, síntese e leitura de público não competem entre si: elas funcionam juntas. Quem domina apenas uma dessas frentes costuma tropeçar quando o jogo esquenta”, explicou a especialista.
Jackeline também deixou claro por que quem se comunica melhor sai em vantagem: “Comunicação eficiente gera benefício porque o jogo é essencialmente narrativo. Quem consegue explicar melhor suas intenções, justificar escolhas e sustentar uma imagem coerente constrói aliados e reduz ruídos. Isso não garante vitória, mas diminui rejeição. No BBB, perder o controle da narrativa costuma ser mais perigoso do que errar estrategicamente”.
Questionada sobre um ranking de melhores e piores comunicadores da casa, oito participantes se destacaram positiva ou negativamente: Ana Paula Renault, Alberto Cowboy, Babu Santana, Breno, Sarah Andrade, Sol Vega, Jonas e Samira.
“Como especialista em oratória, observo a comunicação para além do conteúdo falado. Avalio a estrutura do discurso, a clareza de raciocínio, o domínio emocional, a coerência entre fala e linguagem corporal, a capacidade de adaptação ao ambiente e, principalmente, o impacto sobre quem escuta. No BBB, tudo isso fica ainda mais evidente, porque as situações acontecem sob pressão constante”, acrescentou.
Para ela, Ana Paula, Cowboy, Babu e Breno se destacam, disparados, no quesito clareza. “Ana Paula tem uma comunicação muito bem construída. Ela organiza as ideias antes de falar, escolhe as palavras com precisão e consegue se posicionar com firmeza sem soar agressiva. Sua maior força está no controle emocional: mesmo em momentos tensos, mantém um tom estável, o que transmite segurança e credibilidade para quem ouve”, analisou.
Sobre o veterano do BBB 7, conhecido pela rivalidade histórica com Alemão, Jackeline avaliou: “Cowboy se destaca pela comunicação simples e direta. Ele não faz discursos longos nem rebuscados, mas fala com objetividade e coerência. Sua retórica funciona porque está alinhada à própria identidade. Ele transmite autenticidade, algo essencial em ambientes de exposição extrema como o BBB. As pessoas entendem o que ele pensa e confiam nisso”.
Já Babu Santana, emparedado da semana, foi apontado como dono de uma “retórica emocionalmente inteligente”. “Babu sabe usar pausas, ritmo e entonação para construir impacto. Além disso, tem repertório cultural e vivência, o que dá profundidade ao discurso. Ele convence não só pelo que diz, mas pela forma como conecta emoção e argumento”, explicou.
Mesmo sendo considerado “planta” por parte do público, Breno surpreende positivamente na comunicação. “Ele tem uma comunicação estratégica. Adapta o discurso conforme o interlocutor e o contexto, algo raro. Sabe quando ser mais racional, quando conciliar e quando se posicionar com firmeza. Essa flexibilidade retórica permite que ele transite entre conflitos sem se desgastar excessivamente”, pontuou.
No grupo com mais dificuldades de retórica, Sarah Andrade e Sol Vega aparecem entre os destaques negativos. Jonas e Samira também não escaparam da análise. “Os problemas não estão ligados à falta de conteúdo, mas à forma como a mensagem chega”, observou Jackeline.
“Jonas enfrenta um obstáculo técnico claro: a gagueira. Em um ambiente de debates rápidos, isso compromete a fluidez do discurso e faz com que ele perca espaço nas conversas. O conteúdo pode até ser bom, mas as interrupções constantes quebram o ritmo e dificultam a persuasão”, explicou.
Já Sarah, segundo a especialista, erra ao “rir de tudo”, inclusive em momentos que exigem seriedade. “Esse riso constante funciona como um ruído na mensagem. Para quem escuta, passa a sensação de insegurança, desvio de foco ou falta de comprometimento com o próprio discurso”, avaliou.
Sobre Sol Vega, a análise é direta: “Ela enfrenta dificuldades por não conseguir regular as emoções. Quando a emoção assume o controle, a fala perde estrutura, o raciocínio se fragmenta e a mensagem se torna confusa. A falta de domínio emocional enfraquece qualquer argumento, por mais válido que ele seja”.
Por fim, Jackeline destacou os choros frequentes de Samira. “Isso interrompe a fala, dificulta a conclusão do pensamento e desloca o foco da mensagem para a emoção. Em alguns momentos, pode gerar empatia, mas enfraquece a capacidade de argumentar e se posicionar com clareza”, afirmou.
“Na prática, o que diferencia esses dois grupos é o controle emocional e a intenção comunicativa. Quem se comunica bem no BBB sabe o que quer dizer, por que está dizendo e como aquilo será percebido. Quem se comunica mal até tem conteúdo, mas deixa que o nervosismo, a emoção excessiva ou vícios de linguagem tomem o lugar da mensagem. Em um jogo onde falar é uma das principais ferramentas de sobrevivência, isso faz toda a diferença”, concluiu.