O nome “Japinha do CV” voltou a dominar as redes sociais nas últimas semanas, depois que uma série de fotos e vídeos atribuídos à suposta integrante do Comando Vermelho viralizaram em meio à operação “Contenção”, deflagrada no Rio de Janeiro. A jovem chegou a ser anunciada como morta em confrontos com a polícia, e sua imagem circulou em perfis de notícias, blogs e fóruns online.
Mas, como revelou o portal BNews, em reportagem assinada por Tiago Di Araújo e publicada em 5 de novembro de 2025, tudo indica que a mulher que ganhou fama como “musa do crime” sequer era quem todos pensavam.
A advogada Lais Albuquerque foi quem trouxe à tona uma nova versão do caso. Em uma publicação em seu perfil no Instagram, ela afirmou que “Japinha do CV” e “Penélope” seriam, na verdade, duas pessoas diferentes.
Segundo o levantamento da advogada, as fotos que viralizaram e foram associadas à faccionada seriam de Maria Eduarda, conhecida nas redes como Penélope, uma jovem sem envolvimento com o tráfico, que teria apenas posado com armas de amigos ligados ao crime.
“Enquanto uns dizem que ‘Penélope da CV’ nunca foi do tráfico e só tirava fotos com armas, outros afirmam que ela foi confundida com a verdadeira Japinha do CV e que a mídia misturou tudo”, escreveu Lais Albuquerque. Ela ainda relatou que, após a repercussão, Maria Eduarda arquivou postagens antigas em suas contas do Instagram, deixando apenas fotos escuras e neutras.
A confusão ganhou força após a divulgação de imagens chocantes de um corpo com o rosto desfigurado, supostamente da “Japinha do CV”. O registro passou a circular como evidência de sua morte durante a operação no Complexo do Alemão e na Penha - ações que resultaram em 121 mortos.
Porém, a lista oficial dos 115 mortos identificados trazia apenas nomes masculinos. Foi então que, conforme apurou a colunista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles, descobriu-se que o corpo em questão era de Ricardo Aquino dos Santos, um traficante baiano abrigado pelo Comando Vermelho.
Na mesma publicação, Lais Albuquerque compartilhou uma foto de outra mulher, que seria a verdadeira Japinha do CV. Ela ressaltou, no entanto, que não há informações confirmadas sobre o paradeiro da criminosa. Há relatos - não verificados - de que ela teria deixado o crime e constituído família.
O BNews destacou ainda que, em um vídeo gravado na Serra da Misericórdia, região de mata que divide os complexos do Alemão e da Penha, uma mulher aparece armada fugindo com um grupo de homens. As imagens foram amplamente compartilhadas e atribuídas à “Japinha”, reforçando a hipótese de que ela está viva.
O site Aos Fatos, especializado em checagem de informações, também investigou o caso e confirmou a tese de que a mulher que viralizou não é a verdadeira Japinha do CV. A publicação reforça que a identidade da mulher usada em vídeos e propagandas recentes foi confundida, e que a narrativa da morte da “Japinha” se baseou em informações falsas amplificadas nas redes sociais.
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