A psicologia afirma que a geração que cresceu na década de 1960 tem mais resiliência. Eles também acreditam que pedir ajuda é um sinal de fraqueza
Publicado em 10 de abril de 2026 às 14:58
Por Clara Espíndola | Colaborador
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Sua resiliência se desenvolveu gradualmente, mas teve um custo oculto que ninguém imaginou. Descubra um traço de pessoalidade muito comum nas pessoas que cresceram nos anos 60 e 70
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Meus pais passaram a infância e a adolescência nos anos 60, e isso forjou traços de sua personalidade sem que percebessem. Cada geração responde às suas próprias necessidades e cada geração atua dentro de um contexto diferente, por isso a criação vivida pela geração que cresceu nos anos 60 e 70, assim com Antonio Banderas e Claudia Raia, estava adaptada ao seu modo de vida. 

No caso deles, a criação incentivava a resiliência, mas também lhes ensinou que pedir ajuda é uma fraqueza.

Sua criação tinha maior contato com outras pessoas, nenhuma distração digital e, desde pequenos, assumiam mais responsabilidades. Tudo isso os moldou, deixando sua marca em suas habilidades cognitivas e emocionais, que, segundo pesquisas sobre diferenças geracionais, se refletem em uma maior capacidade de enfrentamento, controle interno e atenção.

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As gerações atuais vivem, em muitos casos, uma criação helicóptero, um estilo de educação em que os pais têm um comportamento superprotetor e controlador com seus filhos. Segundo uma meta-análise recente de 53 estudos, a criação helicóptero está associada a maiores comportamentos internalizantes e menor ajuste acadêmico, autoeficácia e habilidades de autorregulação. 

Além disso, está associada a menores recursos de enfrentamento essenciais para lidar com as adversidades. Se a criação superprotetora reduz essas capacidades, sua ausência na geração que cresceu nos anos 60 teria favorecido o contrário, por isso são mais resilientes.

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Essa geração lidou diariamente com o fracasso e fez isso sem ajuda, o que, como dissemos, incentivou sua resiliência, uma habilidade que adquiriram de forma gradual ao longo da infância. Mas também fez com que aprendessem algo: ninguém viria salvá-los, nem mesmo do tédio. 

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Assim, aprenderam que o desconforto não mata e que sentir-se desconfortável não é uma emergência que necessite de uma intervenção imediata. Essa lição ficou registrada em seu sistema nervoso e, sessenta anos depois, muitos ainda descartam pedir ajuda, mesmo estando no limite.

O problema é que essas adversidades que enfrentaram e essa falta de redes de apoio na infância tiveram um custo. No nível cognitivo, segundo um estudo publicado no JAMA Pediatrics, crianças expostas a adversidades na primeira infância e sem redes de apoio obtiveram pontuações mais baixas em testes neurocognitivos. 

Esse estoicismo aprendido à força se transformou em evasão emocional disfarçada de força, e passaram a acreditar que pedir ajuda é uma fraqueza. A geração que cresceu nos anos 60 se tornou tão boa em não precisar de ninguém que esqueceu como era receber ajuda e pedi-la.

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Essa geração também acumulou traumas não tratados, violência doméstica normalizada e problemas de saúde mental que eram ignorados. A “dureza” era um tapete sob o qual tudo isso era escondido.

Nem tudo foi ruim. Eles não sabem pedir ajuda, mas sabem esperar e perseverar. A psicologia afirma que a perseverança e a mentalidade de crescimento são traços distintos, mas que se reforçam mutuamente na adolescência. No caso dessa geração que cresceu nos anos 60, desenvolveram um maior “grit”, a tendência de manter o interesse e o esforço em direção a metas de muito longo prazo, usando o autocontrole como uma regulação voluntária dos impulsos frente às tentações momentaneamente gratificantes. 

Justamente o contrário do que ocorre com as novas gerações, que cresceram rolando telas e preferem a dopamina instantânea a uma recompensa de longo prazo.

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A geração dos meus pais aprendeu uma força que os ajudou a sobreviver, mas agora precisa descobrir que pedir ajuda não te torna fraco; o que enfraquece é rejeitar essa ajuda quando você precisa. Já não precisam ser fortes acreditando que ninguém virá salvá-los, porque a sociedade mudou e as relações também. Agora sabemos que são elas que nos fazem felizes e que precisamos delas para viver com bem-estar. 

Também sabemos que a vulnerabilidade é necessária para construir um vínculo profundo. Eles não precisam ser sempre fortes, mas sim se apoiar nessa rede de apoio que construíram ao longo dos anos. Em seus filhos, seus netos, seus amigos. Tomara que aprendam e lembrem que receber ajuda não os torna mais fracos, mas mais fortes, mais amados e mais vivos.

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