José Antonio Marina, professor de filosofia: 'Não pode haver verdadeira amizade ou afeto através de uma tela'
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 13:09
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
A amizade é uma daquelas relações que são o pilar da nossa felicidade, e o catedrático nos faz pensar sobre elas de uma maneira mais crítica
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A amizade é uma das relações mais importantes que temos como seres humanos. Tanto que há pesquisas que garantem que, sem elas, é impossível ter bem-estar, pois representam 60% da nossa felicidade.

No entanto, vivemos em uma “modernidade líquida”, como explicava o sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro homônimo, que nos impede de ter as relações profundas de que precisamos para ser felizes. 

Temos dificuldade para encontrar amizades verdadeiras, que são as que realmente nos transformam.

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O catedrático de filosofia José Antonio Marina, autor de livros como “La vacuna contra la insensatez”, afirmou em uma entrevista que “um amigo de verdade é aquele que faz você ser uma pessoa melhor. E, se não faz você ser uma pessoa melhor, não é um amigo, é outra coisa”.

Embora chamemos todos de “amigos”, há apenas um punhado de pessoas que realmente o são e que representam essa chave para a felicidade de que a ciência fala.

O que diferencia os amigos de verdade dos demais

Marina reflete sobre a diferença entre uma amizade verdadeira e outros tipos de relação, algo de que Aristóteles já falava em seu livro “Ética a Nicômaco”. Embora pensemos que temos muitas amizades, é necessário nos perguntarmos que tipo de amigos temos.

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Para o especialista em felicidade de Harvard Arthur C. Brooks, o que precisamos são de amigos “inúteis”, pessoas com quem temos uma relação profunda, mas completamente desinteressada.

Para que esse tipo de relação de amizade exista, precisamos entender que “ter muitos amigos é uma desvalorização do conceito de amizade”, como explicava Marina. O motivo é mais simples do que parece: precisamos de tempo para manter uma amizade viva.

Se temos muitas amizades, o tempo que podemos dedicar a cada uma delas diminui e o vínculo se enfraquece. “A amizade é com pessoas muito específicas, muito poucas pessoas, com as quais se tem um grau de intimidade, de confiança, de comunicação muito especial”, afirmou o filósofo.

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Por que uma amizade verdadeira exige cuidado

As relações por meio de uma tela não se enquadram no conceito de amizade defendido por Marina, pois ele garante que “por meio de uma tela não pode existir verdadeira amizade nem verdadeiro cuidado”.

O cuidado de que Marina fala é tão vital que ele afirma que “cuidar é a conduta que devemos ter em relação a tudo o que é valioso. Não devemos apenas respeitá-lo, mas também cuidar dele. Ou seja, ajudar para que permaneça, ajudar para que cresça”, afirmou.

E isso é tão importante que deveríamos nos preocupar em ensiná-lo às crianças e promover a cultura do cuidado até mesmo nas escolas.

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Segundo Marina, “devemos ensinar às crianças que elas não precisam apenas cuidar de suas carteiras, não precisam apenas cuidar das plantas, não precisam apenas cuidar das árvores, mas também cuidar de seus colegas, cuidar de sua família, cuidar de tudo o que têm ao redor”.

Nem todo conhecido é um amigo

Um amigo não é uma pessoa com quem saímos para tomar alguma coisa. Embora a amizade tenha momentos compartilhados que podem ser de lazer, se só passamos tempo juntos em um bar, estamos falando de um conhecido, e não de um amigo, segundo o especialista, porque a relação de amizade é diferente.

“A amizade é uma relação de ajuda mútua, de cuidado mútuo. Um verdadeiro amigo me faz ser uma pessoa melhor. E, se não me faz ser uma pessoa melhor, não é um amigo, é outra coisa.”

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Agora pense nas pessoas ao seu redor e naquelas que você considera amigas e responda: quantas delas fazem você ser uma pessoa melhor? É nessas relações que você deve investir tempo e cuidado, porque são elas que realmente farão você feliz.

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