Mais de duas dezenas de estudos demonstram de forma unânime que níveis mais elevados de resiliência estão relacionados a menos problemas de saúde mental. As crianças resilientes se recuperam melhor (e antes) das decepções, e são menos propensas a sofrer de depressão ou ansiedade.
É uma qualidade que os pais buscam incutir em seus filhos, mas nem sempre sabem como. Essa resiliência ou "garra emocional", como afirma a Dra. Juli Fraga, psicóloga com duas décadas de experiência, é vital para o desenvolvimento da inteligência emocional delas e, como ela explicava na CNBC, “as crianças com garra emocional têm uma coisa em comum: pais que sabem como manejar suas próprias emoções”. Eles conseguem isso fazendo três coisas.
Um pai resiliente sabe que não é bom ignorar as emoções nem reprimi-las. As emoções não são algo de que se envergonhar ou que tenhamos que esconder. Não são um incômodo, nem mesmo as emoções mal chamadas de negativas.
Todas são mensageiras biológicas que nos dizem do que precisamos e que nos servem de guia da mesma forma que a fome ou a sede fariam: elas nos ajudam a sobreviver.
No entanto, se elas nos fazem sentir desconfortáveis, corremos o risco de enterrá-las, e a melhor forma de evitar isso é observar o que sentimos e nomear essas emoções uma por uma. Podemos fazer isso em voz alta (“Agora mesmo estou sentindo…”) ou escrevendo-as em um diário emocional. Quando conseguimos nomear nossas emoções, a primeira coisa que acontece é que validamos o que estamos vivendo e podemos tomar medidas para nos sentirmos melhor. Por exemplo, quando sinto ansiedade e a identifico, o que faço é sair para dar uma caminhada.
“Quando os pais enfrentam seus próprios sentimentos, as crianças aprendem que as emoções fazem parte da vida diária e que são tão valiosas para a nossa saúde quanto o sono e o exercício”, explica Fraga.
Neste ponto é importante entender que, como dizíamos, as emoções não são ruins nem boas, apesar de algumas terem uma fama melhor que outras, e é menos provável que os pais julguem as emoções de seus filhos quando não julgam as suas próprias. Sentir nos torna humanos e as emoções são necessárias, embora devamos aprender a regulá-las. Como afirma a psicóloga Mónica Durazo em uma TED Talk, “As emoções falam conosco, é preciso escutá-las”.
Se pensarmos que, em nível psicológico, as emoções são contagiosas, a maneira de mitigar o efeito que isso possa ter sobre nossos filhos é aprender a regulá-las. Isso não significa que não as sintamos. Precisamos ter soberania emocional para processá-las, digeri-las e regulá-las, e aprender a acalmar nossas emoções mais potentes é uma forma de fazer isso.
Segundo Fraga, dominar as emoções começa por se conectar com o seu corpo e, para isso, podemos fazer um exercício de respiração coerente, que consiste em inalar lentamente contando até cinco e exalar lentamente contando novamente até cinco, repetindo o processo durante dois minutos.
Esta técnica relaxante ajuda a acalmar o sistema nervoso e, com isso, a aliviar as emoções intensas.
Os pais que conseguem refletir sobre suas próprias emoções ensinam seus filhos a fazer o mesmo. A especialista afirma que “nossas vidas emocionais são informadas pelo presente, mas moldadas pelo passado”. Ou seja, a forma como nossos pais lidaram com os nossos sentimentos influencia diretamente a maneira como gerenciamos as emoções na idade adulta.
Fraga dá um exemplo: “se a nossa angústia foi ignorada ou envergonhada repetidamente, aprendemos a evitar certas emoções ou a nos criticar por senti-las”. Quando praticamos a autorreflexão, ficamos mais conscientes das emoções de nossos filhos e evitamos repetir padrões que possam prejudicar a resiliência deles.