A situação de Deolane Bezerra ganhou um novo capítulo nesta semana. Presa preventivamente desde 21 de maio de 2026, a influenciadora e advogada teve a manutenção da prisão solicitada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no âmbito da Operação Vérnix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O pedido foi apresentado em 20 de agosto, conforme informou o g1, porque a legislação determina que prisões preventivas sejam reavaliadas a cada 90 dias. De acordo com o documento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os requisitos para manter a prisão continuariam presentes, principalmente para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
Segundo as informações apresentadas pelo Ministério Público, Deolane seria a "principal integrante do núcleo financeiro" da organização investigada. A Revista Oeste, que afirma ter tido acesso ao documento por meio do Metrópoles, informou que o órgão a descreveu como o "verdadeiro caixa da organização criminosa".
Segundo a denúncia do MP-SP, a organização investigada seria dividida em três núcleos: decisório, operacional e financeiro. No primeiro estariam Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como chefe do PCC, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
É no núcleo financeiro que Deolane Bezerra aparece na acusação. Conforme o Ministério Público, ela teria utilizado contas bancárias pessoais e empresas ligadas a seu nome para ocultar e dissimular recursos de origem ilícita, além de converter os valores em bens de alto valor econômico.
A acusação sustenta ainda que a movimentação ajudaria a conferir aparência de legalidade ao dinheiro investigado. A investigação também aponta o uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como "laranjas", para esconder a origem dos recursos.
De acordo com a Revista Oeste, a investigação aponta que Deolane teria recebido dezenas de transferências consideradas suspeitas. Os valores identificados pelos investigadores chegam a aproximadamente R$ 700 mil.
Além disso, a investigação resultou em medidas patrimoniais contra a influenciadora. Segundo o documento citado pela publicação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em contas ligadas a ela e a apreensão de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.
O MPSP denunciou Deolane por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações também envolvem outros investigados na Operação Vérnix, que apura movimentações financeiras e suposta utilização de empresas para ocultar recursos atribuídos ao PCC.
A reavaliação ocorre porque a prisão preventiva precisa ser analisada periodicamente. No novo pedido, o Gaeco também destacou que Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, dois dos denunciados, continuam foragidos.
Para a Promotoria, essa situação reforçaria a necessidade de manter os investigados presos para assegurar a aplicação da lei penal e evitar riscos relacionados à investigação.
A prisão de Deolane já havia sido questionada pela defesa. Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus. Segundo o g1, a relatora, desembargadora Renata Cantello, afirmou que os argumentos apresentados pela defesa e por relatório da OAB-SP representavam "meras insatisfações com a rigidez natural do regime de reclusão e questões de gestão administrativa interna".
Na decisão, a magistrada entendeu que não havia demonstração de ilegalidade na prisão preventiva nem justificativa suficiente para substituí-la por prisão domiciliar. O tribunal também destacou que a inscrição de Deolane Bezerra na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está suspensa desde a decretação da prisão.