O rápido emagrecimento de Ana Paula Renault dentro do "Big Brother Brasil 26" não passou despercebido pelo público. Ao longo das semanas, a participante chegou a relatar dificuldades com a alimentação - principalmente quando estava na Xepa - e comentou abertamente sobre mudanças no próprio corpo, o que rapidamente gerou repercussão nas redes sociais.
Mas, para além da estética, o caso levanta uma discussão mais profunda: até que ponto perder peso é, de fato, um sinal de saúde?
De acordo com a nutricionista Fernanda Lopes, da Six Clínic - iniciativa 100% online voltada ao cuidado em obesidade e sobrepeso -, o tema exige atenção. Formada pela Universidade Paulista e com experiência em nutrição clínica, hospitalar e ambulatorial, a especialista atua com foco em emagrecimento saudável, sem radicalismos, e na melhora da relação com a alimentação.
"Nem toda perda de peso é, de fato, um indicador de saúde. Uma pessoa pode perder peso às custas de massa muscular, água e até micronutrientes essenciais. Emagrecimento saudável envolve preservar massa magra, manter ingestão adequada de vitaminas e minerais e garantir bom funcionamento metabólico, não apenas reduzir números na balança", explica a profissional em entrevista ao Purepeople Brasil.
Na prática, isso significa que o corpo pode estar entrando em um estado de déficit nutricional, mesmo com a redução de peso, algo mais comum do que se imagina. “Chamamos isso de desnutrição relativa ou qualitativa. A pessoa emagrece, mas não consome nutrientes suficientes”, detalha. "Isso acontece muito em dietas restritivas, monótonas ou com foco excessivo em calorias, sem qualidade nutricional", continua.
No contexto do reality, em que a alimentação pode ser limitada e pouco variada, o impacto vai além da saciedade! Ana Paula, por exemplo, passou quatro semanas ininterruptas na Xepa, onde a comida do programa é mais restrita.
Fernanda explica que, nesses cenários, os primeiros prejuízos costumam envolver micronutrientes essenciais. Ferro, vitaminas do complexo B, vitamina C e zinco estão entre os mais afetados.
"Em situações de pouca variedade alimentar, como acontece na Xepa, o que costuma faltar primeiro são os micronutrientes, vitaminas e minerais essenciais para o funcionamento do corpo. Ferro, vitaminas do complexo B, vitamina C e zinco são exemplos que podem rapidamente ficar abaixo do ideal. Além disso, a ingestão de proteica-calórica também tende a ser insuficiente", analisa.
“O mais preocupante não é apenas a falta pontual de um nutriente, mas o impacto cumulativo: queda de imunidade, redução de energia e dificuldade de manter a massa muscular".
Cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração podem parecer sintomas comuns da rotina. No entanto, também podem indicar que o organismo não está recebendo o que precisa.
"Os sinais iniciais costumam ser discretos e, por isso, frequentemente negligenciados com outros do dia a dia", reforça a nutricionista. Entre os principais alertas, ela destaca cansaço persistente, tonturas, fraqueza e queda de desempenho nas atividades cotidianas. Com o tempo, outros sintomas podem surgir, como queda de cabelo.
“O cansaço pode estar ligado à deficiência de ferro ou vitaminas do complexo B, além de ingestão calórica insuficiente. Já o enjoo pode aparecer em situações de jejum prolongado ou alimentação muito restrita”, completa. Segundo ela, esses sinais são uma resposta do corpo diante de um cenário de escassez. “É uma tentativa de preservar funções essenciais”.
As transformações físicas percebidas no espelho - e comentadas pelo público, como no caso de Ana Paula - também têm relação direta com esse processo.
“Quando o emagrecimento acontece de forma rápida, há uma perda mais acentuada de gordura subcutânea e também de massa muscular, o que pode deixar o rosto com um aspecto mais abatido”, explica. A falta de nutrientes também impacta a pele. “Ela pode ficar mais opaca, sem viço, e evidenciar sinais de cansaço, como olheiras".
Ou seja, nem sempre emagrecer resulta em uma aparência mais saudável. “Em alguns casos, o efeito pode ser o oposto".
Fernanda, inclusive, ressalta que a ideia de que quanto mais rápido emagrecer, melhor, está ligada "a uma cultura imediatista, reforçada principalmente pelas redes sociais".
"O problema é que o corpo não funciona nessa lógica. Quando o emagrecimento é muito acelerado, o organismo entra em um estado de alerta, como se estivesse diante de uma escassez. O principal risco é justamente o corpo passar a se defender, reduzindo o metabolismo e aumentando a tendência ao reganho de peso", disse.
Após períodos de restrição, o organismo tende a reagir e isso pode se refletir na balança. “Após períodos de restrição mais intensa, o corpo tende a reagir como um mecanismo de defesa, aumentando a fome e reduzindo o gasto energético”, diz.
O resultado pode ser o chamado efeito rebote. “Esse processo favorece o reganho de peso, muitas vezes com maior acúmulo de gordura corporal". Além disso, há impactos que vão além do peso. “Podem ocorrer alterações hormonais e perda de massa muscular, fatores que impactam diretamente o metabolismo e tornam mais difícil manter o peso a longo prazo".
Diante disso, a orientação é: não existe atalho seguro quando o assunto é emagrecimento! “O emagrecimento saudável precisa ser sustentável”, afirma Fernanda. Isso inclui um déficit calórico moderado, alimentação equilibrada e variedade de nutrientes. Outros fatores também entram na conta, como sono de qualidade, controle do estresse e prática de atividade física.
“O acompanhamento profissional também é fundamental para ajustar o plano às necessidades individuais”, reforça. E deixa o principal recado: “Mais do que rapidez, o que traz resultado de verdade é consistência".
Cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração podem parecer sintomas comuns da rotina. No entanto, também podem indicar que o organismo não está recebendo o que precisa.
"Os sinais iniciais costumam ser discretos e, por isso, frequentemente negligenciados com outros do dia a dia", reforça a nutricionista. Entre os principais alertas, ela destaca cansaço persistente, tonturas, fraqueza e queda de desempenho nas atividades cotidianas. Com o tempo, outros sintomas podem surgir, como queda de cabelo.
“O cansaço pode estar ligado à deficiência de ferro ou vitaminas do complexo B, além de ingestão calórica insuficiente. Já o enjoo pode aparecer em situações de jejum prolongado ou alimentação muito restrita”, completa. Segundo ela, esses sinais são uma resposta do corpo diante de um cenário de escassez. “É uma tentativa de preservar funções essenciais”.
As transformações físicas percebidas no espelho - e comentadas pelo público, como no caso de Ana Paula - também têm relação direta com esse processo.
“Quando o emagrecimento acontece de forma rápida, há uma perda mais acentuada de gordura subcutânea e também de massa muscular, o que pode deixar o rosto com um aspecto mais abatido”, explica. A falta de nutrientes também impacta a pele. “Ela pode ficar mais opaca, sem viço, e evidenciar sinais de cansaço, como olheiras".
Ou seja, nem sempre emagrecer resulta em uma aparência mais saudável. “Em alguns casos, o efeito pode ser o oposto".
Fernanda, inclusive, ressalta que a ideia de que quanto mais rápido emagrecer, melhor, está ligada "a uma cultura imediatista, reforçada principalmente pelas redes sociais".
"O problema é que o corpo não funciona nessa lógica. Quando o emagrecimento é muito acelerado, o organismo entra em um estado de alerta, como se estivesse diante de uma escassez. O principal risco é justamente o corpo passar a se defender, reduzindo o metabolismo e aumentando a tendência ao reganho de peso", disse.
Após períodos de restrição, o organismo tende a reagir e isso pode se refletir na balança. “Após períodos de restrição mais intensa, o corpo tende a reagir como um mecanismo de defesa, aumentando a fome e reduzindo o gasto energético”, diz.
O resultado pode ser o chamado efeito rebote. “Esse processo favorece o reganho de peso, muitas vezes com maior acúmulo de gordura corporal". Além disso, há impactos que vão além do peso. “Podem ocorrer alterações hormonais e perda de massa muscular, fatores que impactam diretamente o metabolismo e tornam mais difícil manter o peso a longo prazo".
Diante disso, a orientação é: não existe atalho seguro quando o assunto é emagrecimento! “O emagrecimento saudável precisa ser sustentável”, afirma Fernanda. Isso inclui um déficit calórico moderado, alimentação equilibrada e variedade de nutrientes. Outros fatores também entram na conta, como sono de qualidade, controle do estresse e prática de atividade física.
“O acompanhamento profissional também é fundamental para ajustar o plano às necessidades individuais”, reforça. E deixa o principal recado: “Mais do que rapidez, o que traz resultado de verdade é consistência".