A pouco mais de um mês de completar 92 anos - faz em 9 de dezembro -, Judi Dench vive um drama na vida pessoal com as consequências de degeneração macular. Consagrada como Melhor Atriz Coadjuvante com o Oscar de 1998 por "Shakespeare Apaixonado", a britânica de York sofre uma perda progressiva e, por isso, não consegue mais ler e tampouco reconhece rostos.
"Não posso mais subir ao palco, fazer peças ou filmes", revelou Judi, agraciada com dois Globos de Ouro (1998 e 2001), indicada em três oportunidades ao Emmy (2001, 2008 e 2010) e condecorada pela Rainha Elizabeth II (1926-2022). Vista em "Mrs.Brown" (1998), "Iris" (2002) e em vários filmes da franquia "007", entre muitos outros, a artista aposentada das artes contra a própria vontade irá lançar um livro no qual passa a limpo sua vida.
A triste situação atual não faz, porém, a inglesa se vitimizar. "Tenho que aceitar a situação e seguir em frente. Me adapto a tudo", garantiu, segundo a coluna "Gente", da revista "Veja".
Diante do estado de saúde atual, Judi declama na cabeça poemas que decorou ao longo dos 91 anos de vida na carreira iniciada em 1957, curiosamente em outra obra clássica de Shakespeare: "Hamlet". E o verso que já lhe vem à cabeça quando acorda também é do dramaturgo inglês, que viveu entre 1564 e 1616.
"É quando fecho os olhos que melhor consigo enxergar", escreveu ele no Soneto 43 em frase agora repetida pela artista, viúva de Michael Williams desde 2001 - ele foi vítima de câncer no pulmão - e mãe de Tara Williams, que seguiu a carreira dos pais.