Ludmilla vai ser presa? Após cantar 'Verdinha' no Réveillon, cantora é acusada de apologia às drogas pela 'Lei Anti-Oruam'
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 21:02
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Após reunir mais de 700 mil pessoas na Praia de Icaraí, show da cantora no Réveillon 2026, em Niterói, vira alvo de questionamento jurídico por possível descumprimento da recém-sancionada 'Lei Anti-Oruam'
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O que começou como uma noite de festa, música e recorde de público terminou em debate jurídico, político e moral. A apresentação de Ludmilla no Réveillon 2026, que reuniu mais de 700 mil pessoas na Praia de Icaraí, em Niterói, agora é analisada sob a ótica da recém-sancionada "Lei Anti-Oruam".

A polêmica surgiu após a execução do hit “Verdinha”, um dos maiores sucessos da carreira da esposa de Brunna Gonçalves. Segundo a acusação, a música teria conteúdo interpretado como apologia ao uso de drogas, algo proibido pela nova legislação municipal em eventos financiados com dinheiro público e abertos a menores de idade. 

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O que diz a 'Lei Anti-Oruam'

Sancionada pelo prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) no dia 24 de dezembro, a "Lei Anti-Oruam" proíbe o uso de recursos do município para contratar ou divulgar espetáculos que façam apologia ao crime ou ao uso de substâncias ilícitas. O texto da lei passou a valer imediatamente, o que abriu espaço para questionamentos sobre o conteúdo apresentado no palco do Réveillon.

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A vereadora Fernanda Louback (PL), autora do projeto, afirma que houve falha da administração municipal na fiscalização do repertório. Em declaração ao jornal O Globo, a parlamentar foi direta: “A lei é clara, está em vigor, foi sancionada pelo prefeito e deve ser cumprida inclusive e especialmente pelo Poder Executivo”. Para ela, o problema não é a artista em si, mas o cumprimento da legislação.

Afinal, 'Verdinha' faz apologia?

Esse é o ponto mais sensível da discussão. A letra de “Verdinha” não cita explicitamente a palavra “maconha”, usando termos como “planta”, “pé” e “verdinha”. Ainda assim, segundo a vereadora, o sentido seria evidente. “Conforme interpretação preliminar, contém mensagens que podem ser interpretadas como apologia ao uso de drogas”, afirmou.

Do outro lado, movimentos sociais e partidos como o PSOL reagiram rapidamente. Em nota publicada nas redes sociais, o partido alertou para o risco de a lei ser usada como instrumento de censura contra manifestações culturais periféricas. Segundo o PSOL, a situação lembra perseguições históricas sofridas pelo samba e pela capoeira. “Trata-se de uma estratégia conhecida que buscou controlar corpos, silenciar vozes e restringir o direito à cidade da população negra e pobre”.

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Ludmilla pode ser presa?

Não há, até o momento, qualquer indicação de prisão da cantora. O foco das discussões está no âmbito administrativo. Mesmo com o veto do prefeito ao artigo que previa multa automática de 100% do valor do contrato, a vereadora defende que o caso seja analisado pelo Tribunal de Contas e que haja apuração de possível improbidade administrativa por parte dos gestores envolvidos. 

Até agora, tanto a equipe de Ludmilla quanto a Prefeitura de Niterói não se manifestaram oficialmente sobre a acusação. 

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