Frase do dia de Esther Boada, psicóloga: 'As mulheres nascidas na década de 1960 cresceram com a ideia de que precisavam dar conta de tudo, porque era isso que a sociedade exigia'
Publicado em 1 de agosto de 2026 às 06:03
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
A história de superação de Adriana Esteves ilustra como muitas mulheres dessa geração aprenderam a suportar tudo em silêncio. Entenda o que diz a psicologia.
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"As mulheres nascidas na década de 60 cresceram com a ideia de que tinham que ser capazes de lidar com tudo porque a sociedade lhes impunha isso." 

A frase da psicóloga Esther Boada resume uma realidade vivida por milhões de brasileiras que nasceram na década de 1960. Mais do que uma observação sobre comportamento, a reflexão revela o peso de uma geração que precisou se adaptar a profundas transformações sociais sem, muitas vezes, encontrar espaço para cuidar de si mesma.

Quando essas mulheres nasceram, era comum que suas mães dedicassem a vida exclusivamente ao lar, ao casamento e à criação dos filhos. Alguns anos depois, o cenário começou a mudar. 

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As mulheres conquistaram espaço no mercado de trabalho, passaram a construir carreiras e buscar independência financeira. No entanto, uma responsabilidade permaneceu praticamente igual: elas continuaram sendo vistas como as principais responsáveis pela casa, pelos filhos e pelo cuidado com a família.

Foi justamente ese comportamento que moldou uma geração resiliente e acostumada a colocar as próprias necessidades em segundo plano.

A atriz Adriana Esteves, nascida em 15 de dezembro de 1969, representa bem essa trajetória de superação. Hoje reconhecida como uma das maiores intérpretes da televisão brasileira e novamente em destaque na reprise de 'Avenida Brasil', como a inesquecível Carminha, ela enfrentou uma fase extremamente difícil no início da carreira.

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Após interpretar Mariana na primeira versão de 'Renascer', em 1993, Adriana recebeu críticas intensas. A pressão foi tão grande que a atriz enfrentou um quadro de depressão e chegou a cogitar abandonar a profissão. 

Em vez disso, encontrou forças para seguir em frente, reconstruir sua trajetória e se consolidar como um dos principais nomes da dramaturgia nacional.

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O sentimento de culpa de mulheres nascidas na década de 1960

Segundo Esther Boada, mulheres nascidas na década de 1960 costumam desenvolver um forte senso de responsabilidade em relação às pessoas ao seu redor e apresentam uma tendência a adiar os próprios desejos em nome das necessidades dos outros.

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Emocionalmente, muitas demonstram grande autocontrole, elevada capacidade de adaptação e uma impressionante resiliência. Ao mesmo tempo, carregam sentimentos de culpa quando não conseguem corresponder ao ideal de perfeição imposto tanto na vida profissional quanto na familiar.

A psicóloga explica que esse padrão começa muito cedo. Por exemplo, se uma menina cresce ouvindo que precisa ser responsável, empática, forte, discreta e capaz de resolver qualquer problema, é natural que, na vida adulta, aprenda a esconder emoções como tristeza, exaustão ou frustração.

O resultado costuma ser silencioso, pois muitas mulheres passam a acreditar que demonstrar cansaço significa fraqueza. Outras imaginam que o problema está apenas nelas.

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Esse mecanismo ajuda a explicar por que tantas mulheres dessa geração ainda encontram dificuldade para reconhecer as próprias necessidades emocionais. 

Apesar desse histórico, Esther Boada acredita que essa geração também deixa um importante legado para as mulheres mais jovens:

"Podemos aprender com a notável capacidade de reinvenção das mulheres da geração dos anos 1960. Hoje, essas mulheres, com cerca de 60 ou 70 anos, nos ensinam que nunca é tarde para pensar em nós mesmas, para nos expressarmos, para cuidarmos de nós mesmas apesar da culpa, e a importância de criar comunidade e redes sociais. O que não devemos repetir são os ideais que levaram essas mulheres a esperar dar conta de tudo sem sequer poder reclamar."

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