A psicologia afirma: imaginar tudo o que poderia dar errado antes de um grande evento não é pessimismo, mas sim uma estratégia comprovada que funciona, e quem a utiliza tem um desempenho tão bom quanto o dos otimistas
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 17:28
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Entenda por que pessoas pessimistas não são consideradas ruins para a psicologia
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Sabe quando você se prepara para organizar uma festa, para uma entrevista, apresentação e vem o pensamento: “E se der errado?”. Saiba que esse tipo de pensamento não é um puro pessimismo, é mais profundo do que se imagina. 

Na psicologia, porém, existe um conceito que ajuda a explicar outra possibilidade: o pessimismo defensivo. A estratégia é pesquisada há décadas pela psicóloga Julie Norem e envolve estabelecer expectativas relativamente baixas e imaginar, antes de uma situação importante, quais problemas podem acontecer. 

A ideia não é simplesmente esperar o pior, mas transformar ansiedade em cenários concretos que possam ser enfrentados com algum tipo de preparação.

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E é justamente essa lógica que ajuda a entender uma situação recente de 'Quem Ama Cuida', novela das nove da Globo.

Silvana (Belize Pombal) decidiu comemorar o aniversário em casa e fez uma escolha delicada ao convidar Pilar (Isabel Teixeira), sua cunhada. As duas não têm uma boa relação, mas a professora universitária preferiu relevar as diferenças, mesmo apostando que algo poderia dar errado.

No meio da festa, Pilar acaba entrando em conflito com a própria filha, Brigitte (Tatá Werneck), em uma cena que virou assunto por vários dias. 

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A situação mostra como, em determinados contextos, imaginar previamente que alguma coisa pode dar errado não significa necessariamente desejar que aquilo aconteça. Pelo contrário: reconhecer a possibilidade de um conflito pode fazer parte da tentativa de se preparar emocionalmente para ele.

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O que é o pessimismo defensivo?

Segundo a abordagem estudada por Norem, pessoas que utilizam essa estratégia costumam antecipar resultados negativos antes de uma tarefa ou acontecimento importante. 

Mas pesquisas sobre o tema encontraram um resultado interessante: o pessimismo defensivo pode funcionar para algumas pessoas justamente porque combina antecipação de problemas com preparação.

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Em um estudo publicado no periódico Personality and Social Psychology Bulletin, pesquisadores compararam pessoas consideradas otimistas e pessimistas defensivas.

O detalhe importante é que o efeito mudava quando essas pessoas eram induzidas a relaxar antes da tarefa. Nesse contexto, seu desempenho podia piorar. Já entre os participantes mais otimistas, o padrão era diferente: o relaxamento combinava melhor com a estratégia que eles naturalmente utilizavam.

Ou seja, não existe necessariamente uma única maneira correta de se preparar para uma situação importante. É por isso que frases como 'relaxa, tudo vai ficar bem podem não funcionar da mesma maneira para todas as pessoas.

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Para quem utiliza o pessimismo defensivo, imaginar dificuldades pode ser justamente uma forma de recuperar a sensação de controle. 

Se existe a possibilidade de chover, a pessoa leva um guarda-chuva, se tem medo de esquecer alguma coisa, faz uma lista, se prevê trânsito, sai mais cedo ou se teme que uma apresentação tenha problemas técnicos, testa o equipamento antes.

No fim, pensar no pior não precisa significar viver esperando uma tragédia. Para algumas pessoas, pode ser justamente uma maneira de se sentir preparadas para quando a vida não sair exatamente como planejado.

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