William Bonner foi um dos nomes mais comentados durante a semana depois que a Globo confirmou sua saída do "Jornal Nacional". Após 29 anos e meio de bancada, o jornalista deixa o telejornal em 3 de novembro para dar lugar a César Tralli e com chance de receber uma grande homenagem não só no próprio "JN" como também em outros programas da emissora.
Após ter comandado praticamente por todos os telejornais da Globo, do "Bom Dia São Paulo" ao "Jornal da Globo", passando pelo "Jornal Hoje" e "SPTV", Bonner assume o "Globo Repórter" em 2026 formando dupla com Sandra Annenberg e observando uma drástica redução salarial.
Mas o que poucos sabem é que antes de chegar à TV, estreou na Band, o principal nome do jornalismo da Globo foi funcionário de uma agência de publicidade. Mas ficou decepcionando com a ética do ramo, admitiu em entrevista ao "Sem Censura" em 1989.
Naquele ano, Bonner se tornava o apresentador do "Jornal da Globo" e nem pensava que tempos mais tarde assumiria o "JN" (em 1996) e se tornaria colecionador de carros raros. "Trabalhei em uma agência minúscula, onde foi o primeiro emprego que tive e era mais voltada para anúncios de varejo", iniciou o pai de Beatriz, Vinícius e Laura.
"Não tive oportunidade de fazer grandes trabalhos lá. Aliás, trabalho grande nenhum. Longe disso", frisou Bonner, responsável por uma grande "dança das cadeiras" na Globo. "Depois trabalhei em uma 'house', que a gente costuma chamar de o 'porão da propaganda'. Uma agência criada dentro de uma empresa para produzir todo material de propaganda dessa empresa", explicou.
Então, o atual âncora do "JN" explicou o motivo de ter dado adeus ao mundo da publicidade. "Saí da área de propaganda porque descobri que o código ético da publicidade tem limites muito mais abertos que os meus. Estreitos limites éticos", prosseguiu. "Então quando me vi confrontado com a situação de ser obrigado a fazer um anúncio para um produto dizendo que ele não era nocivo ao consumidor e ele de fato era, comprovadamente nocivo, achei que era hora de pular fora", frisou Bonner.
"É natural que no trabalho que a gente desenvolve na TV, nem sempre vai poder obedecer aos seus princípios. Mas existem limites que a gente que trabalha em televisão, em jornalismo, limites que a gente se impõe para manter por nós mesmos um respeito nível mínimo de respeito", foi além. "Esse código ético pessoal e que varia de cidadão para cidadão é um negócio que levo muito a sério. E pulei fora de propaganda por causa disso", finalizou.
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