Não sei se você já sentiu ansiedade, mas sempre achei que ela é como uma avalanche que te atinge, ou como um tsunami que aparece para devorar tudo.
Quando chega, assim como a água, ela te envolve completamente e te deixa paralisada e à sua mercê. Mas há algo que pode nos ajudar muito a reduzir a ansiedade quando ela aparece: os truques sensoriais.
De acordo com a psicóloga Isabella Hinojosa, "os truques sensoriais ajudam a ansiedade porque falam diretamente com o corpo, não com a mente".
A ansiedade é uma resposta de alerta do corpo quando nos sentimos em perigo, mas o problema é que, na maioria das vezes, não existe um perigo real, embora nosso sistema nervoso acredite que sim.
"O problema não é a ansiedade em si, mas quando ela aparece sem uma ameaça real ou permanece 'ativada' por muito tempo", explica Hinojosa nas redes sociais da Apapacharte.
"Ao ativar os sentidos, o sistema nervoso recebe o sinal de que você está seguro aqui e agora", afirma, acrescentando que isso “ajuda a sair do modo de alerta e retornar gradualmente a um estado de calma”.
Aqui estão alguns dos truques que ele compartilha para nos ajudar a reduzir a ansiedade com a ajuda dos nossos sentidos.
O contato com o frio, segundo a especialista, "nos ajuda a voltar ao corpo e ao presente".
Você pode pegar um cubo de gelo, uma lata da geladeira ou lavar as mãos com água muito fria.
O que buscamos é ativar o sentido do tato para que nossa mente se concentre nessa sensação corporal.
Na Terapia Comportamental Dialética (DBT), a técnica TIP skills (Temperature, Intense exercise, Paced breathing) desenvolvida por Marsha M. Linehan já fala de algo semelhante.
O frio, especialmente no rosto, ativa o reflexo de imersão mamífera que diminui a frequência cardíaca, ativa o sistema parassimpático e reduz a ativação fisiológica.
Hinojosa garante que "o sabor intenso e ácido ajuda o seu cérebro a sair do ciclo de pensamentos".
Embora não existam estudos clínicos diretos sobre o assunto, há evidências na psicologia cognitiva de que alguns estímulos sensoriais intensos (como sabores intensos) podem desviar a atenção de processos ruminativos.
Se pensarmos que a ruminação mantém e amplifica a ansiedade, tentar fazer com que nossa mente pare de pensar e saia do ciclo vicioso é uma forma de reduzir a ansiedade.
Para isso, este exercício simples "ancora sua atenção no aqui e agora", como explica a especialista.
Você pode procurar ao seu redor cinco coisas quadradas ou procurar todos os elementos ao seu redor que sejam de uma cor específica, por exemplo. Com isso, redirecionamos nossa mente e conseguimos um controle da atenção que serve para reduzir a ruminação e, com isso, a ansiedade.
O que a psicologia chama de fala autodirigida nos permite gerar respostas muito mais inteligentes e organizadas, mas quando fazemos isso em momentos de estresse e falamos conosco na terceira pessoa, pode ajudar a controlar as emoções sem aumentar o esforço cognitivo.
É uma forma de evitar a reatividade emocional.
O que Hinojosa propõe é que nos dirijamos à ansiedade como se fosse outra pessoa presente em nossa sala com algo como "Ok, ansiedade, eu já vi você, mas não preciso que você me proteja agora".
Procuramos ativar o olfato para nos levar de volta ao presente e interromper o ciclo de pensamentos.
Podemos cheirar um óleo essencial que nos traga de volta ao presente, como acontece com os sabores, ou experimentar o nosso perfume favorito.
Todos esses truques não curam a ansiedade, mas atenuam os sintomas.
Mas se você realmente deseja reduzir a ansiedade de forma eficaz, é necessário identificar o problema que está gerando essa ansiedade e, para isso, o melhor é procurar um profissional da psicologia que nos ajude.