Durante décadas, a rotina do espanhol Juan López esteve ligada ao trabalho como mecânico em Toledo, na Espanha. Foi só depois da aposentadoria, aos 66 anos, que ele começou a correr.
Como contou à Fissac, os primeiros passos foram difíceis, mas, aos poucos, o maratonista, hoje com 82 anos, ganhou resistência e passou a percorrer distâncias maiores, dando início à trajetória que o tornaria um destaque do atletismo veterano.
Em 2025, López ganhou projeção internacional ao bater o recorde mundial dos 50 quilômetros na categoria masculina acima dos 80 anos, completando o percurso em 4 horas, 47 minutos e 39 segundos.
Seu desempenho chamou a atenção de pesquisadores interessados em entender como ele consegue manter tamanha resistência física nessa fase da vida e o que seu caso pode revelar sobre os limites do envelhecimento.
Em um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista Frontiers in Physiology, pesquisadores avaliaram a composição corporal de López e observaram como seu organismo responde ao esforço em testes na esteira e na bicicleta.
Um dos dados que mais chamaram a atenção foi seu consumo máximo de oxigênio, medida que indica a capacidade do corpo de captar, transportar e utilizar oxigênio durante exercícios intensos. López atingiu 52,8 ml/kg/min, o maior valor já registrado em uma pessoa com mais de 80 anos até então, segundo os autores.
Além de apresentar uma capacidade aeróbica comparável à de homens saudáveis de 20 a 30 anos, o atleta demonstrou grande eficiência muscular no aproveitamento do oxigênio e no uso de gordura como fonte de energia.
A comparação com adultos jovens, porém, se refere a esses indicadores específicos, o que não significa que todo o seu organismo funcione como o de uma pessoa dessa idade.
No podcast “Tengo un Plan”, López também compartilhou detalhes de sua alimentação. No café da manhã, costuma comer pão tostado com azeite, uma camada de queijo fresco e outra de mel.
Para acompanhar, toma uma xícara grande de café com leite, também adoçado com mel, e, às vezes, inclui uma tangerina ou banana na refeição.
Outro hábito antigo faz parte desse ritual: consumir pólen antes de comer. “Há muitos anos venho tomando pólen, o alimento das abelhas. Coloco uma colherada na boca todas as manhãs”, contou.
O estudo, porém, não investigou se esse hábito contribui para seu desempenho.
Apesar da dedicação ao esporte, López precisa conciliar os treinos com as responsabilidades de casa e os cuidados com a esposa.
Em entrevista à Cadena SER, contou que também é responsável por cozinhar e procura preparar refeições saudáveis, embora não consiga seguir uma dieta rígida. A constância aparece, sobretudo, nos treinos.
Segundo o estudo publicado na Frontiers in Physiology, ele corria cerca de 65 quilômetros por semana nos períodos sem competições, volume que chegava a 120 quilômetros na preparação para uma prova.
Essa rotina, construída ao longo dos anos, ajuda a compreender a resistência que mantém depois dos 80.