Todos nós passamos por períodos em que a escova fica mais cheia de cabelos do que o normal. No entanto, os sinais mais preocupantes costumam ser também os mais discretos. Tão discretos que podem se passar anos até você perceber o que realmente está acontecendo...
Segundo explica a farmacêutica e especialista em dermocosmética e saúde capilar Helena Rodero, muitas mulheres entre 30 e 50 anos podem estar perdendo densidade capilar sem identificar o problema. “Se você tem entre 30 e 50 anos e percebe que está perdendo cabelo de forma significativa, tome cuidado, pois pode estar com alopecia difusa e não saber”, alerta.
O problema é que não se trata de uma queda repentina nem de descobrir uma grande área do couro cabeludo sem cabelo. Na verdade, é justamente por isso que o problema pode passar despercebido por bastante tempo. Trata-se de uma perda de densidade que surge aos poucos.
A chamada alopecia difusa feminina, também conhecida como alopecia androgenética nas mulheres, que afeta diversas famosas como Xuxa Meneghel, Maiara e Gretchen, tem uma característica muito específica: não causa calvície visível, mas sim uma perda progressiva de densidade.
Nas palavras de Rodero, “é uma perda de cabelo que se manifesta ao longo do tempo”. A sensação geralmente é a de perceber que o cabelo parece cada vez mais fino e mais esparso.
Muitas mulheres percebem isso ao fazer a risca do cabelo. “Antes era uma risca fina e depois vai ficando mais parecida com uma estrada”, exemplifica a farmacêutica. A razão é que, com o tempo, “o cabelo se transforma em vello: mais fino, mais curto e mais fraco”, aponta.
Embora esse tipo de alopecia tenha um componente genético e possa ser herdado tanto do pai quanto da mãe, o momento em que começa a se tornar visível geralmente tem muito a ver com os hormônios. Durante anos, os estrogênios atuam como uma espécie de escudo protetor. Mas essa proteção começa a diminuir com a idade.
Rodero resume assim: “A partir dos 40 anos, ou quando nos aproximamos da perimenopausa, os estrogênios vão diminuindo e a testosterona começa a ter um efeito mais negativo sobre o cabelo”.
Por isso, embora a predisposição genética seja hereditária, muitas mulheres só começam a notar as mudanças por volta dos 30 e, sobretudo, dos 40 anos.
Uma das chaves para entender esse problema é diferenciá-lo de outras formas de queda de cabelo. Por exemplo, a alopecia areata se manifesta na forma de placas ou calvícies localizadas no couro cabeludo. A alopecia frontal fibrosante, por sua vez, faz com que a linha do cabelo recue, dando a sensação de que a testa está ficando cada vez maior.
A alopecia difusa, no entanto, funciona de outra maneira: o cabelo continua lá, mas cada vez com menos densidade, e detectá-la a tempo faz toda a diferença, segundo a especialista: “É muito importante detectá-la a tempo.
Quanto mais cedo for detectada, mais cedo se pode iniciar um tratamento e, portanto, revertê-la com melhores resultados”, explica.
Por isso, ela recomenda consultar um dermatologista assim que se perceber uma perda clara de densidade, especialmente na parte superior da cabeça.
A abordagem dessa alopecia costuma ser médica e deve ser orientada por um especialista. Entre os tratamentos mais utilizados estão princípios ativos como o minoxidil ou determinados medicamentos que atuam sobre os hormônios envolvidos no processo. Em alguns casos, também se recorre a microinjeções no couro cabeludo com esses mesmos medicamentos para potencializar seu efeito.
Além disso, existem produtos cosméticos ou suplementos nutricionais que podem ajudar a melhorar a qualidade da fibra capilar. Mas, como insiste Rodero, seu papel é complementar. Eles servem para reforçar o tratamento médico, não para substituí-lo.
Além do aspecto médico, a farmacêutica lembra que o cabelo tem um impacto importante na imagem pessoal. “Para uma mulher, é muito importante ter um cabelo bonito”, comenta. Por isso, ela insiste em algo simples, mas fundamental: se começar a notar que o cabelo está perdendo densidade, o melhor é não esperar e marcar uma consulta com o dermatologista.