A psoríase é uma doença de pele inflamatória imunomediada, sem cura e não contagiosa. A enfermidade combina predisposição genética e fatores ambientais ou de comportamento e causam o aparecimento de lesões avermelhadas e que descamam. Trata-se de um fenômeno cíclico, ou seja, os sintomas vão e voltam.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 125 milhões de pessoas no mundo convivem com a psoríase. No Brasil, os números também são altos: a estimativa é de que 1,3% da população seja afetada, o que representa mais de 2,7 milhões de pessoas. Entre elas, estão Kelly Key, Xand Avião e Juju Salimeni.
Segundo a doutora Rafaella Costa, médica dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), a psoríase ocorre por uma ativação exagerada do sistema imune, principalmente envolvendo linfócitos T e interleucinas específicas, levando à renovação muito acelerada da epiderme.
Além da pele, a psoríase pode afetar as unhas - graças a alterações como depressões, descolamento ungueal; articulações - fenômeno chamado de artrite psoriásica; área genital, palmoplantar e até o couro cabeludo, o que acometeu Beyoncé. A doença também pode causar o aumento do risco cardiovascular e metabólico.
Segundo a doutora Rafaella, fatores relacionados à vida urbana podem causar manifestações da psoríase. Estresse crônico, privação de sono e outros fatores ambientais, como uso de alguns medicamentos e tabagismo, estão entre os fatores que causam aumento dos mediadores inflamatórios sistêmicos e desregulam o eixo neuroimunoendócrino.
Até mesmo a estação do ano pode impactar a vida de quem convive com a psoríase, segundo a especialista. “Alguns pacientes pioram no inverno, quando há menos exposição à luz solar (menos radiação ultravioleta natural, que tem efeito imunomodulador) e maior chance de ressecamento da pele. Outros podem piorar no verão, geralmente pelo atrito, suor ou até mesmo por queimaduras solares. Isso mostra que a psoríase é sensível ao equilíbrio entre barreira cutânea, imunidade e ambiente”, explicou a médica.
Já o tratamento varia de acordo com a gravidade. Nas formas leves, os hidratantes, corticoides tópicos, análogos da vitamina D e fototerapia são os métodos mais utilizados. Para formas moderadas a graves, o mais recomendado é o uso de medicamentos sistêmicos ou imunobiológicos, que atuam diretamente nos mediadores inflamatórios.
Para evitar crises, é essencial redução de estresse, cuidado com sono, evitar tabagismo e álcool, cultivar um estilo de vida saudável e manter uma hidratação adequada da pele. “O importante é saber que a psoríase tem tratamento e podemos melhorar muito a qualidade de vida de nossos pacientes com a conduta e seguimento corretos!”, alerta a doutora Rafaella.