Uma boa memória baseia-se no esquecimento, mas o segredo está em quanto e como esquecemos
Publicado em 11 de março de 2026 às 09:33
Especialistas em neurociência explicam que é necessário apagar alguns detalhes (ou até diversos deles) das nossas memórias, com o objetivo de armazená-los em nosso cérebro. Entenda!
Entenda mais detalhes sobre o esquecimento e as questões da memória Segundo neurocientistas, uma boa memória realmente depende de esquecimentos, fato este contestado por muitos. Para o especialista  Rodrigo Quian Quiroga, a memória está baseada em guardar pouquíssima informação De acordo com a neurociência, cada pessoa encontra os neurônios com as informações que lhe interessam Segundo a neurociência, a capacidade do cérebro de armazenar diversas informações realmente é limitada
Veja todas as fotos

A nossa memória é colocada à prova em todos os momentos, durante o dia. Quem nunca esqueceu o nome de alguém, ou de alguma informação importante? De acordo com o neurocientista Rodrigo Quian Quiroga, foi surpreendente descobrir que lembramos pouco das coisas:

"Uma das primeiras coisas que me surpreendeu quando comecei a me interessar por neurociência foi o quão pouco nos lembramos", explicou ao periódico El País. Questões ligadas ao esquecimento e à perda de memória são constantemente exploradas nas novelas da Globo, tanto em diálogos dentro de casa.

Ele complementou: "Nossa memória se baseia em lembrar muito pouca informação e construir algo a partir disso. É por isso que temos falsas memórias", ressalta. Cada vez mais nos deparamos com esquecimentos, e problemas de memória, tanto nossos, como de pessoas conhecidas vindo à tona.

Veja também
As pessoas que esquecem os nomes dos outros durante uma conversa têm cinco características marcantes, segundo a Psicologia
O cérebro tem limites?

O próprio especialista cita que estamos construindo uma realidade de pouquíssima informação, ainda que tenhamos várias delas disponíveis na palma da mão, com as redes sociais, por exemplo.

Isso acontece porque a capacidade do cérebro é limitada. Logo, cada um tende a encontrar os neurônios com os dados que lhe interessam, baseados, principalmente, em coisas que marcaram emocionalmente. Essa afirmativa também é levada em consideração por outros especialistas, como Santiago Canals:

"A memória tende a esquecer praticamente tudo, a menos que seja algo único". Outro ponto a ser levado em consideração é a inteligência emocional, que costuma fortalecer os laços entre as pessoas e as emoções.

Esquecer detalhes faz parte do processo natural da memória, de acordo com neurocientistas. © Pexels, Oladimeji Ajegbile
Memória: como guardamos informações?

Quer um exemplo? Pensa no seu trajeto de ida e volta do trabalho, ou até mesmo da faculdade: geralmente não lembramos de detalhes muito específicos dessas caminhadas. Isso acontece porque não ocorreu nada de muito específico, que tenha despertado uma mudança emocional em nós.

Em contrapartida, caso aconteça algo de extraordinário nesse mesmo caminho, no mesmo horário e com a mesma rotina que você costuma seguir, é claro: nossa memória vai logo guardar, e isso se transformará em lembrança.

Assim, fica fácil de entender que novas situações precisam vir à tona, provocando alguma sensação e emoção em nós (pode ser alegria, surpresa, tristeza, dentre outras), para que o nosso mecanismo complexo responsável pelas conexões do cérebro possa entender, e ir aumentando ou diminuindo a nossa memória, com o passar do tempo.

Por que as memórias mudam?

Já se sabe que a memória muda e evolui com o tempo. Mas, qual o motivo? Bem, o nosso cérebro funciona a partir de estímulos: seja um gosto diferente, ou até mesmo um cheiro de perfume doce ou mais forte, por exemplo, pode fazer com que ele desperte.

Essas espécies de "circuitos sinápticos" é que determinam se as experiências, então, serão positivas ou negativas. Para o neurocientista Canals, "a relação que existe entre uma ação e a obtenção de uma recompensa ou uma punição", citou. Os seres humanos costumam fazer bastante confusão com essas informações. 

Se compararmos com o armazenamento de informações em um HD ou pen-drive, seria mais fácil, não acha?! Se compararmos nossa memória a um disco rígido, ficaria bem mais fácil de recuperar as informações, sempre que fosse necessário. 

Todos seriam bom em tudo, e de repente, conseguiríamos até respostas para situações ainda desconhecidas, como o Alzheimer: o que pode proteger dessa doença, além de coisas que fazem mal. No entanto, nossa memória é bem mais complexa, e está mudando constantemente. Ela até ajuda a entender o que está a nossa volta.

Afinal, realmente precisamos esquecer das coisas?

De acordo com Quiroga, é verdade que precisamos esquecer de algumas coisas. Para ele, a memória é "supervalorizada": 

"A chave para o funcionamento da inteligência humana não é o que lembramos, mas o quanto esquecemos". 

Sendo assim, ficamos nesse complexo de ter o medo de esquecer das coisas, e ao mesmo tempo, entender que faz parte do processo. Inclusive, compreender que o cérebro é que tem a capacidade de guardar a quantidade exata de informações necessárias para que possamos viver nesse mundo (que vive mudando a todo instante).

A neurociência ainda explica que precisamos "apertar o botão delete" de situações irrelevantes da nossa memória, reiniciá-las e guardar apenas aquilo que é essencial (e realmente precisa ser um exercício diário).

E é isso que separa os seres humanos das máquinas: extraímos apenas aquilo que é essencial e entendemos o abstrato das memórias. Ainda, segundo Quiroga, por este motivo que "a inteligência artificial (IA), ainda está longe de alcançar a inteligência humana".

Matérias relacionadas
Nove frases típicas de pessoas com inteligência emocional acima da média
Nove frases típicas de pessoas com inteligência emocional acima da média
Três cafés por dia podem proteger contra o Alzheimer, segundo um estudo da Harvard: mas deve ser com cafeína
Três cafés por dia podem proteger contra o Alzheimer, segundo um estudo da Harvard: mas deve ser com cafeína
O que significa quando uma pessoa começa a esquecer demais, como a Rosa em 'Dona de Mim'? Psicóloga faz alerta sobre empatia e atenção
O que significa quando uma pessoa começa a esquecer demais, como a Rosa em 'Dona de Mim'? Psicóloga faz alerta sobre empatia e atenção
Por Clara Molter | Colaboradora
Jornalista curiosa que gosta de ouvir e de contar boas histórias. Ama astrologia e pautas esotéricas, é antenada no universo do entretenimento, celebridades, e tendências do mundo da moda e da beleza.
Palavras-chave
Lifestyle Curiosidades Principais notícias Bem-estar
Sobre o mesmo tema
A boa notícia da Justiça para Brígido, do 'BBB 26': com alto risco de ser eliminado em Paredão, 'brother' deve ganhar alta quantia em dinheiro
A boa notícia da Justiça para Brígido, do 'BBB 26': com alto risco de ser eliminado em Paredão, 'brother' deve ganhar alta quantia em dinheiro
2 de fevereiro de 2026
A relação inusitada entre Michael B. Jordan, indicado ao Oscar 2026, o 'BBB' e Bruna Marquezine que você provavelmente esqueceu que existe
A relação inusitada entre Michael B. Jordan, indicado ao Oscar 2026, o 'BBB' e Bruna Marquezine que você provavelmente esqueceu que existe
13 de março de 2026
Notícias similares
A psicologia diz que as pessoas mais solitárias na vida não são aquelas de quem ninguém gosta: são as pessoas gentis e prestativas que todos apreciam, mas ninguém pensa em procurar
A psicologia diz que as pessoas mais solitárias na vida não são aquelas de quem ninguém gosta: são as pessoas gentis e prestativas que todos apreciam, mas ninguém pensa em procurar
16 de março de 2026
Se você consegue dizer essas frases quando está magoado, você tem mais inteligência emocional do que a maioria das pessoas
Se você consegue dizer essas frases quando está magoado, você tem mais inteligência emocional do que a maioria das pessoas
12 de novembro de 2025
Últimas Notícias
Últimas Notícias