Paulo Cupertino é condenado a 98 anos de prisão por assassinato do ex-ator de 'Chiquititas', Rafael Miguel, e de seus pais
Publicado em 30 de maio de 2025 às 23:20
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
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Réu ficou foragido por quase três anos e foi preso em 2022; assassinatos chocaram o país pela motivação e brutalidade.
Paulo Cupertino é condenado a 98 anos de prisão por assassinato do ex-ator de 'Chiquititas', Rafael Miguel, e de seus pais Rafael Miguel foi assassinado em 2019 junto com os pais quando foi à casa da namorada para oficializar a relação com Isabela Tibcherani Caso Rafael Miguel: filha de Paulo Cupertino, único acusado pelo crime, já acusou o pai de agressão Rafael Miguel fez a novela 'Chiquititas' (foto) e um comercial onde pedia brócolis para a mãe Paulo Cupertino ficou foragido de 2019 até 2022 e foi preso em hotel de São Paulo
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Após dois dias intensos de julgamento, Paulo Cupertino Matias foi condenado a 98 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais do jovem, João Alcisio e Miriam Selma Miguel. A decisão foi anunciada na noite desta sexta-feira (30), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, e marca o desfecho judicial de um crime que comoveu o Brasil em 2019.

Crime foi motivado por não aceitação do namoro da filha

De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Cupertino cometeu o triplo homicídio por não aceitar o relacionamento da filha, Isabela Tibcherani, então com 18 anos, com Rafael Miguel, que tinha 22. O crime ocorreu no dia 9 de junho de 2019, em Pedreira, bairro da zona sul da capital paulista, e foi classificado como triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Naquele dia, Rafael e os pais foram até a casa de Isabela para conversar com o pai da jovem. Paulo Cupertino, ao avistá-los, sacou uma arma e efetuou 13 disparos, matando os três no local. As execuções aconteceram na frente da filha do réu e foram registradas por câmeras de segurança — imagens que também flagraram sua fuga imediata.

Fuga durou quase três anos

Logo após o crime, Cupertino deu início a uma fuga que duraria quase três anos. Durante esse período, passou por diversos estados e chegou a se esconder no Paraguai. Ele foi localizado e preso em 16 de maio de 2022, na zona sul de São Paulo, após uma denúncia anônima. No momento da prisão, utilizava objetos de disfarce, como bengala, chapéus e tintura para o cabelo.

A longa fuga foi apontada pelo juiz responsável pelo caso, Antonio Carlos Pontes de Souza, como fator agravante da pena. O magistrado também destacou a frieza com que os assassinatos foram cometidos.

Defesa contestou provas e alegou linchamento midiático

Durante o julgamento, que teve início na quinta-feira (29), segundo o g1, a defesa de Paulo Cupertino tentou desqualificar as provas apresentadas pelo MP. As advogadas Mirian Nunes Souza e Juliane Oliveira alegaram a inexistência de testemunhas oculares e criticaram o uso de imagens de câmeras de segurança como provas conclusivas. Afirmaram ainda que o réu fugiu por medo de sofrer retaliações públicas e não por culpa.

Em sua fala final, Cupertino negou envolvimento no crime, disse não conhecer as vítimas e afirmou que estava apenas "passando pelo local". A versão foi rejeitada pelos sete jurados que compuseram o Conselho de Sentença, todos unânimes na condenação.

Corréus absolvidos e atuação do Ministério Público

Outros dois acusados no processo, Wanderley Antunes Ribeiro Senhora e Eduardo José Machado, foram absolvidos a pedido do Ministério Público, que entendeu que não havia provas suficientes de que eles tivessem ajudado Cupertino a se esconder.

Durante os debates, os promotores Thiago Marin e Rogério Leão Zagallo reforçaram a gravidade dos crimes e destacaram a conduta do acusado após os assassinatos. "Por que uma pessoa inocente buscaria documentos falsos e contrataria advogado criminalista se não tem culpa?", questionou Zagallo em plenário.

Rafael Miguel ganhou notoriedade nacional ainda criança, ao estrelar um comercial de televisão no qual pedia brócolis à mãe em tom dramático. Mais tarde, conquistou o público ao interpretar o personagem Paçoca na novela infantil "Chiquititas", do SBT. Também teve passagem pela TV Globo, onde atuou na novela "Pé na Jaca", em 2007.

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