Dieta restritiva ou transtorno alimentar? Psicóloga explica a diferença
Publicado em 3 de março de 2018 às 05:57
Naturalização de regimes pode encobrir distúrbios na alimentação. Entenda!
O diagnóstico de distúrbio alimentar é dificultado pela naturalização das dietas
'Uma das coisas que ajuda a gente a diferenciar quando esse comer se torna problemático, inadequado, é quando isso te gera uma angústia muito grande', explica a psicóloga Vanessa Tomasini
'A alimentação começa a ter muita restrição dentro do distúrbio alimentar, então você percebe que isso passa a tirar a paz da pessoa', complementa Vanessa Tomasini
A preocupação muito grande com o ganho ou a perda de peso pode ser um indicativo de distorção de imagem. 'A pessoa se vê maior na forma e no tamanho do que ela realmente é', conta a psicóloga Vanessa Tomasini
Vanessa Tomasini é psicóloga clínica e idealizadora do projeto #VcTemFomedeQue?, que tem como objetivo reavaliar a relação das pessoas com a comida e com o corpo

Dieta da sopa, dieta da proteína, dieta da Jennifer Lopez, dieta low carb, dieta sem glúten, Fast Mimicking: cada vez um regime da moda. Mas como diferenciar uma pessoa com alimentação baseada na restrição de alguém com transtorno alimentar? De acordo com Vanessa Tomasini, psicóloga especializada em distúrbios alimentares, a naturalização das dietas cria uma barreira para essa identificação: "Muitas vezes, uma boa parte dos pacientes tem distúrbios alimentares e acaba sendo difícil diagnosticar justamente porque está tão inserido na nossa sociedade o fazer dieta, o ser magro. Quando a pessoa diz que está em dieta ninguém olha preocupado. É natural, é normal, é um comportamento típico. A gente acha normal ouvir frases do tipo 'eu vivo em dieta' quando, na verdade, é um ponto de interrogação para de repente poder se perguntar 'peraí, por quê?', 'para que essa restrição alimentar?', 'o que ela está evidenciando?'."

'Você percebe que passa a tirar paz da pessoa', explica psicóloga

Segundo Vanessa, os extremos sinalizam que há algo de errado. "Uma das coisas que ajuda a gente a diferenciar quando esse comer – o que você come, quando você come, a quantidade que você come – se torna problemático, inadequado, é quando isso te gera uma angústia muito grande. Ou seja, o comer deixa de ser natural, consciente e intuitivo, para ser algo sempre premeditado, uma preocupação extrema o tempo inteiro com o que eu vou comer, onde vou comer, se aquele lugar tem uma comida específica. A alimentação começa a ter muita restrição dentro do distúrbio alimentar, então você percebe que isso passa a tirar a paz da pessoa, e esse é um dos momentos que a gente começa a levantar as orelhas para observar um pouco melhor", explica. A preocupação muito grande com o ganho ou a perda de peso, por sua vez, pode ainda ser um indicativo de distorção de imagem: "A pessoa se vê maior na forma e no tamanho do que ela realmente é."

'O corpo é a forma delas de trabalho', diz sobre musas fitness

No mundo das musas fitness e dos corpos sarados do Instagram, onde rotinas de dieta e exercícios são compartilhadas em massa, é importante compreender o estilo de vida dos influenciadores e evitar comparações para que elas não gerem fortes cobranças sobre corpo. "Acho que uma das primeiras coisas é entender que essas pessoas que são musas fitness trabalham com isso, então o corpo é a forma delas de trabalho, tudo que elas fazem é em prol desse corpo que é o instrumento de trabalho delas, é uma opção, uma escolha", analisa a profissional.


(Por Vanessa Nogueira)

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Beleza Saúde Bem-estar Entrevista Dieta
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