É sabido que algumas pessoas vivem sem aquele expectativa de aguardar algo em troca e que nem querem saber de tomar parte dos problemas que não são delas. Porém, por outro lado temos aqueles que sempre estão disponíveis a qualquer momento e que fazem questão de se mostrem solidárias.
A reciprocidade é uma característica positiva, contudo há chance dessa atitude altruísta se tornar um problema. Nesses casos, acaba sendo o reflexo da personalidade de um determinado indivíduo. Um estudo realizado por psicólogos indicou o que leva pessoas a buscarem solução para os problemas que não são delas.
Esses profissionais foram enfáticos ao indicarem não somente atitude altruísta desse grupo como também o fato delas tentarem alcançar o controle, temendo serem rejeitadas. Tal comportamento pode ter surgido por conta de experiências passadas quando crianças. A gente te conta.
Se você conhece alguém que seguidamente tenta buscar uma solução para problemas de outras pessoas esse teu conhecido (ou essa sua conhecida) detém um traço na personalidade que podemos chamar de "Síndrome do Salvador" ou do "Solucionador de Problemas". Nesse caso o hábito de esticar a mão acaba escondendo motivações emocionais nada superficiais e padrões comportamentais guardados.
De acordo com o site especializado "Psychology and Mind" ("Psicologia e Mente"), umas pessoas "ajudam tanto que não permitem que os outros sejam autônomos ou independentes, enquanto, ao mesmo tempo, se sacrificam tanto que negligenciam seus próprios interesses, desejos e vontade. Sua ânsia de salvar os outros beira o patológico".
E não é só isso. Essas pessoas que tentam solucionar os problemas alheios trazem consigo uma experiência pesada de uma fase quando criança hiper-responsável. Nela, desde cedo aprenderam a assumir responsabilidade que caberia aos adultos, cuidar de outras pessoas e até fazer a mediação de conflitos na própria família para manutenção da ordem e da segurança.
Em uma análise mais profunda vemos que essas pessoas entendem que o único valor pessoal que têm é serem úteis. Pensam que o merecimento do amor se dá unicamente por resolverem problemas e, dessa maneira, tentam que o controle exista naquele ambiente. Isso para não sentirem dor, uma vez que também temem serem rejeitadas ou abandonadas.
Dessa forma, essas pessoas depositam toda a sua energia nos problemas que não são os seus. Por consequência, adiam ou ignoram o que lhes fazem sofrer ou os seus próprios conflitos.
São três consequências apontadas por profissionais da área:
- exaustão emocional: quem sempre tenta ajudar os demais desenvolve fadiga crônica, se frusta, e sente-se vazia. Até porque coloca em segundo plano os próprios problemas.
- invalidação do outro: ao mesmo tempo, essas pessoas não deixam que quem tem o problema estimule autonomia, maturidade e independência.
- dinâmicas de dependência: nesse caso quem está sempre disposto a resolver o problema do outro leva a um desequilíbrio dos relacionamentos. Assim, o dono do problema fica acostumado a não assumir responsabilidades.