Arthur Schopenhauer, filósofo: 'Toda satisfação, ou o que comumente se chama felicidade, é na realidade e essencialmente sempre negativa e nunca positiva'
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 08:12
À primeira vista, a frase soa sombria, quase excessivamente pessimista. Mas, se lida com calma, ela funciona como um convite incômodo (e necessário) para repensarmos a forma como estamos vivendo
Arthur Schopenhauer, filósofo: 'Toda satisfação, ou o que comumente se chama felicidade, é na realidade e essencialmente sempre negativa e nunca positiva' Arthur Schopenhauer desafiou a ideia de felicidade duradoura ao afirmar que a vida oscila 'entre a dor e o tédio' - e que toda satisfação é, no fundo, passageira Sabrina Sato chora ao não conseguir desfilar nas Campeãs da Gaviões da Fiel após atraso na ponte aérea; para Schopenhauer, o problema não é desejar algo específico, mas viver sob o comando constante da Vontade, uma força insaciável que nunca se dá por satisfeita O filósofo alemão resume o ciclo humano de forma implacável: quando desejamos, sofremos; quando realizamos o desejo, nos entediamos — e tudo recomeça Maxiane, aliada de Sarah, chorou até demais com a saída da loira do 'BBB 26'; a leitura de Schopenhauer ajuda a entender por que, mesmo após conquistas importantes, a sensação de vazio insiste em aparecer.

O filósofo que avisou: não viemos ao mundo para ser felizes. Arthur Schopenhauer é considerado o pai do pessimismo filosófico moderno, e não por acaso. Em sua obra mais conhecida, O mundo como vontade e representação, ele deixa um alerta direto: “A vida oscila, como um pêndulo, entre a dor e o tédio.”

Segundo o filósofo, isso tem tudo a ver com nossa tendência de querer sempre mais. No centro de sua teoria está a ideia de Vontade, uma força cega, irracional e incessante, que nos empurra de desejo em desejo sem nunca se dar por satisfeita.

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Desejar dói. Conquistar entedia. E o ciclo recomeça

Para Schopenhauer, tudo é Vontade. Ela vem antes da razão, do pensamento e até do sentimento. É o motor oculto que nos move.

Funciona assim:

  • quando desejamos algo e não temos, sofremos;
  • quando conseguimos o que queríamos, surge um vazio — e, com ele, o tédio;
  • então, um novo desejo aparece, e o ciclo recomeça.

Em outras palavras: desejar machuca, satisfazer não resolve. A felicidade, quando vem, é breve.

O próprio filósofo descreveu isso de forma quase cruel: “A vontade vive num mundo sem fim nem limites. Seus desejos são ilimitados, suas exigências, inesgotáveis. Cada desejo satisfeito faz nascer outro.”

@filosofo.citou Schopenhauer dizia que: “A vida é um processo de desilusão... O homem, quanto mais inteligente, mais sofre; quem aumenta o conhecimento multiplica a dor.” E é verdade: conhecer profundamente é, muitas vezes, despir as ilusões que tornavam a existência mais leve. A criança vê magia onde há truques. O ingênuo encontra esperança onde há manipulação. Mas aquele que enxerga demais, sofre. Não porque o mundo tenha piorado, mas porque já não consegue fingir que não vê. #filosofia #schopenhauer #reflexão #reflexaododia ♬ som original - Filósofo Citou
Amor líquido, relações frágeis e o desejo que nunca descansa

Essa leitura fica ainda mais instigante quando colocada lado a lado com a visão de Zygmunt Bauman, especialmente em Amor líquido.

Bauman descreve o amor na modernidade como frágil, descartável e de baixo compromisso. Se olharmos isso com as lentes de Schopenhauer, o encaixe é quase perfeito:

  • o desejo gera ansiedade, medo da solidão, busca por validação;
  • quando o relacionamento começa, o desejo se acalma…
  • e logo surge o tédio, acompanhado da sensação de que “falta alguma coisa”.

Não é o parceiro que muda — é o desejo que nunca se aquieta.

A esteira hedônica: felicidade que não sai do lugar

Outra conexão inevitável é com a chamada esteira hedônica, conceito popularizado por Arthur C. Brooks.

A teoria, desenvolvida por Brickman e Campbell, sugere que nosso nível de felicidade até oscila, mas sempre retorna ao mesmo ponto de antes. O prazer passa, o desejo volta, e a satisfação nunca se sustenta.

É exatamente isso que Schopenhauer queria dizer ao afirmar que a felicidade é “negativa”: ela não se acumula, não cresce, não se estabiliza. Apenas alivia, por um instante, uma falta que logo reaparece.

Existe saída para esse ciclo de desejo e tédio?

Schopenhauer não era otimista — mas também não era totalmente sem saída. Ele aponta dois caminhos possíveis, ainda que temporários: a arte e a compaixão. Para o filósofo, a contemplação estética desinteressada suspende, ainda que por alguns minutos, o domínio da Vontade.

Pense naquela música que te absorve por completo. Durante esses minutos, você não projeta o futuro, não calcula ganhos, não deseja nada. Você simplesmente contempla. Schopenhauer chama isso de se tornar um “sujeito puro do conhecimento”. Nesse estado, o ego se dissolve, o desejo se cala e a dor dá uma trégua.

@filosofo.citou

Schopenhauer argumentou que a inteligência funciona como um espelho, refletindo as limitações dos outros. Muitas vezes, as pessoas não perdoam aqueles que as obrigam a enfrentar verdades que preferem ignorar. A solidão das mentes brilhantes não é mera coincidência ou falta de habilidades sociais, mas sim um padrão universal. Mesmo em silêncio, uma pessoa inteligente pode causar desconforto apenas por sua presença, revelando imperfeições que os outros prefeririam não ver. #frasesreflexivas #ansiedade #superação #reflexão #FilosofiaDeVida

♬ som original - Filósofo Citou
A compaixão como reconhecimento do outro (e de si)

O segundo caminho é a compaixão. Se todos somos expressões da mesma Vontade, como defendia Schopenhauer, então o sofrimento do outro não é tão diferente do meu.

A compaixão surge quando intuimos isso — quando a dor deixa de ser “do outro” e passa a ser percebida como parte de uma condição comum. Não elimina o sofrimento do mundo, mas rompe, ainda que brevemente, o isolamento do ego.

Talvez o desconforto seja o ponto

Schopenhauer não oferece promessas de felicidade plena — e talvez esteja aí sua atualidade. Em vez de vender soluções fáceis, ele nos obriga a encarar uma pergunta incômoda:
e se a felicidade não for um estado permanente, mas apenas pausas entre desejos?

Pensar nisso não é confortável. Mas, às vezes, é exatamente o desconforto que nos faz viver com mais lucidez.

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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Palavras-chave
Lifestyle Bem-estar Curiosidades Famosos Internacionais
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