Em muitas famílias, os avós ocupam um lugar difícil de substituir.
São aqueles que escutam sem pressa, que transmitem histórias da família e que, muitas vezes, oferecem aos netos um tipo de carinho diferente daquele dos pais: menos condicionado pelas obrigações do dia a dia e mais centrado no afeto.
Isso faz com que avós e netos tenham uma relação muito especial, quase mágica. E que, mesmo quando os avós falecem, muitos de nós continuemos sentindo esse vínculo especial que os mantém presentes em nossas vidas, por mais que os anos passem.
E, embora a vida moderna faça com que muitas famílias vivam separadas por centenas de quilômetros, esse vínculo continua tendo um enorme peso emocional. Na verdade, é cada vez mais comum que os avós morem em outra cidade, no interior ou até mesmo em outro país.
Isso reduz o tempo passado juntos, mas não necessariamente enfraquece a relação.
Na verdade, segundo explica o psicólogo José Martín del Pliego em entrevista concedida à revista ¡Hola!, a distância física não impede que as crianças continuem sentindo os avós como uma figura de segurança e apoio emocional.
Durante a entrevista publicada pela revista, José Martín del Pliego explica que, para muitas crianças, os avós representam uma figura de referência emocional.
Em um contexto no qual a criação dos filhos pode ser exigente e marcada pela falta de tempo e pelo estresse cotidiano, os avós proporcionam uma sensação de calma que deixa marcas.
Nas palavras do psicólogo, os avós são “um porto seguro”, uma figura que “fortalece a autoestima e a sensação de pertencimento”. Esse sentimento pode se manter mesmo quando eles moram longe e não fazem parte da rotina diária dos netos.
Na verdade, Martín del Pliego destaca uma ideia especialmente relevante:
“Mesmo que os avós não estejam por perto, eles geram uma resposta de calma, bem-estar e consolo, pelo simples fato de saber que meu avô está disponível para mim”.
Segundo explica na entrevista, essa percepção de que existe alguém que sempre estará disponível favorece a regulação emocional das crianças e proporciona segurança a elas.
O especialista também insiste que o vínculo não depende exclusivamente do tempo que se passa junto.
“O que fortalece o vínculo não é tanto a quantidade de tempo compartilhado, mas a qualidade das interações”, afirma.
Um avô que se interessa pela vida do neto, conhece suas preocupações e mantém contato frequente pode construir uma relação muito sólida apesar da distância.
Na entrevista, o psicólogo explica que não existe uma fórmula única para manter essa relação. Videochamadas, mensagens de voz, cartas, fotografias ou ligações telefônicas podem ser igualmente úteis se a criança perceber que, por trás delas, existe um interesse genuíno.
Para Martín del Pliego, o importante é que as conversas não se limitem a perguntar sobre as notas ou a escola.
Ele recomenda se interessar por aquilo que realmente faz parte do universo da criança: seus amigos, os jogos de que gosta, suas preocupações ou como se sente em casa. Essa escuta contribui para que o menor se sinta aceito e compreendido.
Ele também considera que compartilhar histórias da família, tradições ou pequenas anedotas ajuda a reforçar a sensação de pertencimento.
Mesmo à distância, cozinhar uma receita da avó, ler uma história juntos toda semana por meio de uma videochamada ou trocar desenhos e fotografias permite criar lembranças compartilhadas.
O psicólogo lembra ainda que os pais têm um papel importante em facilitar esse vínculo sem transformá-lo em uma obrigação. A criança deve sentir que conversar com os avós é algo que ela quer fazer, e não uma tarefa imposta.
Haverá dias em que a conversa durará apenas alguns segundos e outros em que se estenderá por meia hora, e ambas as situações são perfeitamente normais.