A vida de Bela, personagem de Sheron Menezzes na novela “Por Você”, da TV Globo, fica de cabeça para baixo após a morte de Juli, vivida por Lucy Ramos, em um acidente de carro. Diante da tragédia, a médica decide levar os quatro filhos da amiga para casa e assumir a responsabilidade por eles, mas, nos próximos capítulos da novela das 7, perceberá que cumprir a promessa será mais difícil do que imaginava. A história se conecta a uma reflexão do neuropsicólogo Álvaro Bilbao sobre educação infantil: para ele, ensinar bons modos não é suficiente se as crianças não aprendem diariamente a tratar os outros com respeito.
Segundo informações do jornal argentino Clarín, o especialista chama atenção para a diferença entre “bons modos” e “educação”. Em uma reflexão publicada no TikTok, Bilbao explica que os bons modos podem mudar de acordo com cada cultura, enquanto a verdadeira educação está relacionada a valores como empatia e respeito.
Em sua reflexão, Álvaro Bilbao afirma: “Os bons modos são diferentes em cada cultura, mas em todas as culturas a educação é a mesma”. Para ele, ensinar uma criança a estar bem-arrumada, manter bons hábitos e seguir regras à mesa é diferente de ensinar como ela deve tratar as pessoas ao seu redor.
O neuropsicólogo resume sua ideia em uma frase direta: “Se você ensinar seus filhos a irem bem arrumados para a escola, a comerem com os cotovelos fora da mesa, sentados e com a boca fechada, mas não lhes ensinar todos os dias a tratar bem os outros, você está ensinando bons modos, mas não educação”.
A declaração publicada pelo Clarín reforça a visão de que os bons modos continuam sendo importantes, mas representam apenas uma parte da formação de uma criança. Para Bilbao, a educação também precisa envolver a maneira como os pequenos convivem com outras pessoas.
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De acordo com o especialista, a verdadeira educação envolve empatia, respeito, solidariedade e amabilidade. Isso inclui ensinar os filhos a compartilhar, pedir perdão, reconhecer os próprios erros e tratar com respeito pessoas que são diferentes deles.
Bilbao também destaca que as crianças aprendem muito mais com aquilo que observam do que apenas com aquilo que escutam. Por isso, o comportamento dos adultos que convivem com elas também se torna uma importante referência.
Se os adultos demonstram respeito, paciência, gentileza e justiça no relacionamento com outras pessoas, os filhos podem incorporar esses comportamentos como exemplos para a própria convivência.
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Álvaro Bilbao se apresenta como “formador, palestrante e escritor”. Segundo informações divulgadas em seu site, seus cursos e workshops online já alcançaram mais de 130 mil alunos em 83 países.
Ainda de acordo com sua biografia, o especialista afirma: “Já fiz centenas de palestras em diferentes partes do mundo e, com meu livro O cérebro da criança explicado aos pais, ajudei 300 mil leitoras a melhorar a comunicação e a relação com as crianças”.
Doutor em Psicologia da Saúde, Bilbao teve formação como neuropsicólogo no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, no Royal Hospital for Neurodisability, em Londres, e em neuropsicologia infantil no Instituto Kennedy Krieger, também em Baltimore. Ele também colaborou com a Organização Mundial da Saúde.
Em sua biografia, o profissional explica sua trajetória: “Passei toda a minha vida profissional ajudando famílias de crianças e adultos com dificuldades emocionais e problemas de comportamento a melhorar sua capacidade de resolver conflitos de forma positiva”.
A proposta apresentada pelo neuropsicólogo é que a educação emocional e ética comece desde a primeira infância, principalmente dentro de casa, e seja reforçada por atitudes simples do cotidiano.
Assim, regras como estar bem-arrumado para a escola e comer de maneira adequada continuam tendo importância. A questão levantada por Álvaro Bilbao é que essas atitudes não devem substituir o ensino de valores ligados à convivência.
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A reflexão também aborda uma preocupação presente na rotina de muitas famílias: como formar crianças emocionalmente inteligentes e socialmente responsáveis em uma época marcada pela tecnologia, pela rapidez e pelo individualismo.
Para o especialista, a resposta começa dentro de casa e passa pelo exemplo. Mais do que ensinar uma criança a seguir determinadas regras em público, é necessário mostrar, desde cedo, como suas atitudes afetam outras pessoas. É justamente nessa diferença que, segundo Bilbao, os bons modos deixam de ser apenas regras de comportamento e passam a fazer parte de uma educação baseada em respeito e empatia.