Passados exatos 16 anos desde a morte precoce de Brittany Murphy, o nome da atriz continua associado não apenas a personagens icônicos do cinema dos anos 1990 e 2000, mas também a uma sucessão de perguntas que jamais foram plenamente esclarecidas.
Ícone de uma geração, Brittany morreu aos 32 anos, em 20 de dezembro de 2009, e deixou para trás uma carreira promissora, uma vida pessoal conturbada e uma investigação que ainda desperta dúvidas e teorias...
Nascida em Atlanta, em 1977, Brittany Anne Murphy conquistou Hollywood muito jovem. O grande público passou a conhecê-la como a adorável e insegura Tai, de “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995), mas sua carreira foi muito além do rótulo de “atriz teen”!
Ela brilhou em produções como “Garota, Interrompida”, “8 Mile”, “Recém-Casados”, “Sin City” e “Uptown Girls”, transitando com facilidade entre comédia, drama e suspense. Além do cinema, Brittany também se destacou como dubladora - especialmente em “King of the Hill” - e até como cantora, alcançando o topo da parada Billboard Hot Dance Club Songs com “Faster Kill Pussycat”, em parceria com Paul Oakenfold, em 2006.
Carismática, intensa e considerada extremamente dedicada ao trabalho, Brittany era vista como uma atriz em constante reinvenção, mesmo quando sua carreira começou a enfrentar oscilações nos últimos anos de vida.
Na manhã de 20 de dezembro de 2009, Brittany foi encontrada inconsciente no banheiro de sua casa, em Los Angeles, pela própria mãe. Ela chegou a ser levada ao hospital Cedars-Sinai, mas não resistiu.
De acordo com o laudo oficial divulgado em 2010, a atriz morreu em decorrência de pneumonia não tratada, agravada por anemia severa e intoxicação por medicamentos, todos de uso legal e sem prescrição controlada. Nenhuma droga ilícita foi encontrada em seu organismo. A investigação classificou a morte como acidental.
Apesar do encerramento oficial do caso, o pai da atriz, Angelo Bertolotti, nunca aceitou completamente a conclusão da perícia. Em declarações posteriores, ele afirmou acreditar que a filha poderia ter sido envenenada, algo negado publicamente pela mãe de Brittany na época.
Em 2018, o debate ganhou novo fôlego quando o patologista forense Cyril Wecht, participante do documentário “Brittany Murphy: An ID Mystery”, do Investigation Discovery, levantou questionamentos importantes.
“Onde estava sua mãe, seu marido? Por que ela não recebeu cuidados médicos adequados? Eu fiquei simplesmente intrigado com tudo isso”, afirmou Wecht, em declaração reproduzida pelo UOL Splash.
Outro ponto que sempre chamou atenção foi o estado de saúde da atriz nos meses que antecederam sua morte. A maquiadora Trista Jordan, que trabalhou com Brittany em seu último filme, descreveu mudanças físicas e emocionais preocupantes.
“Seus olhos estavam fundos e ela parecia tão triste. Ela não conseguia ser ela mesma. Estava com muita dor. As pernas bambeavam e ela não conseguia permanecer de pé”, relatou Jordan, em depoimento exibido no documentário.
O mistério se aprofundou ainda mais cinco meses depois, quando Simon Monjack, marido de Brittany, morreu pelas mesmas causas: pneumonia e anemia severa, na mesma casa onde a atriz faleceu.
O relacionamento entre os dois passou a ser analisado sob uma nova ótica após relatos de familiares e de uma ex-noiva de Monjack, Elizabeth Ragsdale, que afirmou ter sido abandonada grávida por ele em Nova York.
“Ele era um indivíduo perturbado e que estava acostumado a enganar as pessoas. Brittany foi uma de suas últimas vítimas”, disse Cynthia Hill, diretora do documentário, em entrevista à revista People.
No documentário, amigos e parentes chegaram a usar o termo “sociopata” para descrever Monjack - um detalhe que aumentou ainda mais a aura de desconfiança em torno do caso.
Em 2013, exames encomendados pelo pai de Brittany apontaram níveis elevados de metais pesados no organismo da atriz e do marido. Ainda assim, os resultados não foram suficientes para reabrir oficialmente o caso.
Hoje, mais de uma década depois, a morte de Brittany Murphy permanece em uma zona cinzenta entre a explicação médica e as lacunas emocionais, familiares e circunstanciais que nunca foram totalmente esclarecidas.
O que se sabe, com certeza, é que a atriz deixou um legado artístico forte, um carinho duradouro do público, especialmente de mulheres que cresceram acompanhando sua trajetória, e um enigma que Hollywood, até agora, não conseguiu solucionar.