Conhecer as próprias emoções parece simples até ser necessário entender por que uma situação incomodou tanto ou por que uma frustração mudou o rumo do dia.
Para o psicólogo Daniel Goleman, essa percepção faz parte da inteligência emocional, uma capacidade que também envolve a maneira como nos relacionamos.
“A inteligência emocional está relacionada às habilidades pessoais. Não se trata de um aprendizado acadêmico”, afirmou em entrevista a María Luisa Moreno, no projeto Aprendemos Juntos, do BBVA.
Na entrevista, Goleman apresenta quatro componentes da inteligência emocional: autoconsciência, autogestão, empatia e habilidade para administrar relacionamentos.
A autoconsciência envolve reconhecer o que sentimos, entender por que determinada emoção surgiu e perceber como ela influencia nossas atitudes.
Já a autogestão permite lidar com essas reações para que elas não nos impeçam de cumprir objetivos ou enfrentar os desafios do cotidiano.
A empatia amplia esse olhar para o outro: significa procurar compreender seus sentimentos e seu ponto de vista, prestando atenção também ao tom de voz e à comunicação não verbal.
Administrar relacionamentos, por sua vez, envolve colocar essas capacidades em prática ao ouvir, colaborar, comunicar o que pensamos e buscar soluções para os conflitos.
Segundo Goleman, cada emoção transmite uma mensagem e tem sua função. O problema surge quando ela se torna intensa demais, aparece de forma inadequada à situação ou persiste a ponto de prejudicar outras áreas da vida.
Por isso, desenvolver inteligência emocional envolve reconhecer o que esses sentimentos sinalizam e aprender a lidar com eles.
Goleman destaca uma estratégia ensinada nas escolas: parar, acalmar-se e pensar antes de agir. A proposta é avaliar as respostas possíveis e suas consequências para, então, escolher uma atitude.
Assim, situações cotidianas se tornam oportunidades de aprendizado emocional.
A ciência também investigou essa possibilidade. Uma meta-análise publicada na revista Emotion Review, em uma edição de 2018, reuniu 24 estudos sobre treinamentos de inteligência emocional em adultos saudáveis.
Os resultados apontaram uma melhora moderada nas medidas avaliadas, com ganhos mantidos no acompanhamento posterior. Embora os efeitos variassem conforme os programas, a análise indica que essas capacidades podem ser aprimoradas com treinamento.